Fuga das galinhas: Advogado do Vitória diz que, sem dinheiro das bets, clube vive a duras penas e vira meme

Uma declaração do advogado do Vitória, André Carvalho Sica, durante a audiência pública realizada terça-feira (3) no Supremo Tribunal Federal para discutir os jogos online, acendeu um sinal de alerta sobre a saúde financeira do clube baiano e ao mesmo tempo virou meme nas redes sociais. Ao defender a manutenção das apostas esportivas no Brasil, o advogado admitiu que o Rubro-Negro enfrenta dificuldades para disputar a Série A do Campeonato Brasileiro, chegou a questionar como conseguirá chegar ao fim do ano sem o dinheiro das bets e disse que o time “vive a duras penas”, sem se dar conta de que viraria piada pronta, por causa do apelido jocoso que a torcida do Bahia colocou no rival: “Galinha”. A afirmação feita diante do ministro Luiz Fux expôs um quadro preocupante que vai além da discussão sobre a ilegalidade das apostas.

Segundo Sica, os contratos de patrocínio com empresas do setor representavam cerca de R$ 45 milhões, equivalentes a 17% do faturamento do Vitória. Com a interrupção dos repasses, o clube passou a enfrentar problemas de caixa e atrasos em compromissos financeiros. O advogado reconheceu que o presidente Lula (PT) tinha razão ao afirmar que o futebol brasileiro existia antes das bets, mas lançou uma pergunta que virou meme: como o Vitória conseguirá terminar 2026 sem essa fonte de receita? 

A manifestação chama atenção não apenas pela gravidade do diagnóstico, mas pelo fato de ter partido de um representante oficial do próprio clube, em uma audiência pública na mais alta Corte do país. Na tentativa de demonstrar os prejuízos provocados pela medida provisória que proibiu as apostas, o Vitória acabou colocando em evidência sua vulnerabilidade financeira. Afinal, se a perda de uma receita correspondente a 17% do faturamento é suficiente para ameaçar o cumprimento das obrigações até dezembro, qual é a real situação das contas rubro-negras?

A declaração também abre espaço para questionamentos sobre o planejamento financeiro da administração do clube. Embora a proibição das bets tenha ocorrido de forma abrupta, os contratos com empresas de apostas constituíam uma fonte de receita sujeita a riscos regulatórios. A dependência desse dinheiro, agora reconhecida publicamente, levanta dúvidas sobre a capacidade do Vitória de absorver perdas inesperadas e manter suas despesas dentro de limites sustentáveis.

Declaração ocorre em meio aos riscos de queda do Leão e alimenta piadas

O episódio ganha contornos ainda mais delicados porque o Vitória disputa a principal divisão do futebol brasileiro e enfrenta a pressão da torcida para permanecer na elite. Ao afirmar que o time atravessa a competição a “duras penas” e com as finanças em baixa, o advogado acrescentou uma preocupação financeira às dificuldades dentro de campo. Para completar, levou a uma enxurrada de gozações na rede, associando a fala “às penas da galinha”. A situação também coloca sob os holofotes a diretoria rubro-negra, que ainda precisa esclarecer a dimensão dos compromissos pendentes, a disponibilidade de recursos para os próximos meses e as alternativas para compensar a perda dos patrocínios.

Convocada pelo ministro Luiz Fux, a audiência discutiu os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo governo Lula para proibir as apostas de quota fixa no país. Enquanto representantes dos clubes alertaram para prejuízos milionários, integrantes do governo defenderam a proibição diante dos impactos sociais, sanitários, mentais e econômicos das apostas sobre a população.