O jornalista investigativo Paulo Motoryn, escritor da newsletter “Noites Húngaras”, defendeu que a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do país rumo aos Estados Unidos se trata de uma fuga, mesmo que o senador não seja formalmente foragido. Em entrevista ao Jornal da Cidade desta terça-feira (27), na Rádio Metrópole, ele lembrou que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega do passaporte do parlamentar. O senador teria cruzado a fronteira com a Argentina, segundo o site Infobae, mas o governo argentino e aliados de Flávio negam a informação.
Motoryn disse ainda que não é possível confiar na declaração do governo argentino de que Flávio não passou pelo país. Segundo ele, mais de 100 condenados pelos atos de 8 de janeiro estão na Argentina, e nenhum foi extraditado. “Javier Milei tem protegido pessoas que atentaram contra a democracia brasileira e não seria surpresa se ele tivesse burlado dados migratórios de Flávio Bolsonaro”, declarou.
Para o jornalista, o caso mostra que a extrema direita não se organiza só nacionalmente, mas em corporações espalhadas pelo mundo. “É simbólico de uma extrema direita que atua como um partido transnacional”, afirmou. Ele citou Donald Trump como figura de proteção e exemplo para o espectro político, além de personagens da política húngara, como Viktor Orbán. “A gente não está combatendo só o bolsonarismo, mas uma articulação internacional da extrema direita”, disse, defendendo o reforço das conexões globais do campo democrático.
A virada de Lula
Motoryn também comentou o resultado da eleição e afirmou que a virada de Lula é um exemplo para o mundo. Ele avaliou que o presidente é um dos maiores estadistas do cenário global atual e que o Brasil passou a ser visto como uma experiência bem-sucedida de combate ao extremismo, com a mobilização nas redes e nas ruas servindo de inspiração. O jornalista contou que estava pessimista depois de Flávio liderar a apuração do primeiro turno, mas considerou a virada histórica, talvez uma das maiores da política mundial. “Pode ser descrita como milagre, fruto da mobilização do povo brasileiro para salvar nossa frágil democracia”, disse.
Autor da reportagem que revelou o áudio da conversa entre Flávio e Daniel Vorcaro sobre o filme “Dark Horse”, Motoryn contou ainda que, depois do 8 de janeiro, ele e a família foram ameaçados por golpistas.
Confira a entrevista na íntegra:

