Flávio Bolsonaro faz ato em Minas com governadores e deputada citada em investigação do INSS

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de uma mobilização política em Belo Horizonte, neste sábado (24), ao lado de lideranças da direita. A recepção à comitiva contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), e da deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG), mencionada em investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O nome da parlamentar aparece em documentos da Polícia Federal (PF) relacionados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Conforme os registros, Chiara teria recebido pagamentos de R$ 10 mil mensais durante seis meses, totalizando R$ 60 mil. A deputada é filha do deputado federal Eros Biondini (PL-MG).

A fotografia da chegada dos aliados foi divulgada pelo vereador de Belo Horizonte Pablo Almeida (PL-MG), deputado estadual eleito e antigo assessor do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Pagamentos e suspeita de pressão política

A quebra de sigilo bancário da Conafer permitiu identificar transferências para Chiara entre o fim de 2021 e 2022. De acordo com os documentos citados pelo portal Metrópoles, os valores foram pagos por Ingrid Pikinskeni, esposa de Cícero Marcelino, apontado como um dos operadores do esquema investigado.

Os registros também levantam suspeitas de que os pagamentos tenham sido utilizados para pressionar Eros Biondini. A suposta articulação é atribuída ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), presidente estadual do partido em Minas Gerais. Pettersen também aparece nas apurações sobre a Conafer. Segundo reportagem do Metrópoles, ele recebeu R$ 14,7 milhões da entidade.

Conafer está no centro das investigações sobre o INSS

A Conafer é investigada por sua participação em um esquema de descontos associativos aplicados a aposentados e pensionistas sem autorização. Relatórios da Polícia Federal indicam que o faturamento da entidade com essas cobranças aumentou de R$ 92,2 milhões, em 2022, para R$ 200 milhões, em 2023.

As apurações fazem parte do caso conhecido como “Farra do INSS”, revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023. O escândalo provocou desdobramentos políticos e judiciais, entre eles a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o afastamento de Carlos Lupi (PDT) do Ministério da Previdência e a prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.