A agência de publicidade Calia passou a se chamar Alia na quarta-feira (7). Na sexta-feira (9), já com a marca nova, a empresa enviou a todos os funcionários de São Paulo e Brasília um e-mail com orientações de neutralidade política na reta final do segundo turno, inclusive nos perfis pessoais. O texto foi obtido pela reportagem.
Assinada pela diretora geral administrativa e financeira, Dolores Martins, a mensagem afirma que a neutralidade “é parte da nossa postura” e que, no segundo turno, ela exige “ainda mais atenção”. O e-mail reconhece que a opinião política é um direito individual, mas diz que o zelo pela reputação da empresa e dos clientes é um esforço coletivo.
Nas redes sociais e no dia a dia, a orientação é evitar comentários sobre candidatos, partidos e a disputa eleitoral, mesmo em perfil pessoal, e não compartilhar conteúdo de campanha, pesquisas ou ataques. O texto justifica: “compartilhar também é se posicionar”. Em caso de dúvida, a equipe deve consultar o Compliance antes de publicar. Segundo a mensagem, se houver risco de leitura promocional ou política, o conteúdo exige revisão.
O e-mail também trata das contas públicas atendidas pela agência. Conteúdos promocionais devem permanecer ocultos ou removidos, e marcas da gestão, como slogans, cores e símbolos, devem seguir fora de circulação. A linguagem de exaltação, como “Governo investe X”, deve ser evitada, e os eventos institucionais devem ter foco técnico e linguagem neutra. Conteúdos de transparência e utilidade pública continuam permitidos, desde que em tom factual.
Mudança de nome
A troca de marca foi apresentada em evento em Brasília. Ela ocorre menos de um ano depois de a FSB Holding assumir o controle da agência, em negócio oficializado em novembro de 2025, quando a holding adquiriu 80% da empresa. Segundo a companhia, a Alia preserva a trajetória da Calia, criada em 1996, e busca expandir a carteira de clientes públicos e privados. Gustavo Mouco segue como sócio e CEO.
A empresa apresenta o rebranding como parte da integração ao grupo FSB. Não há informação pública que relacione a mudança de nome ao período eleitoral, e a agência não explicou por que a troca ocorreu na semana do segundo turno.
Contratos com o governo e histórico
A agência mantém contratos com o governo federal. Em maio, a Secom prorrogou até maio de 2027 o contrato com a Calia/Y2, num pacote de R$ 562,5 milhões dividido com outras três agências. A Calia pertence a Gustavo Mouco, irmão de Elsinho Mouco, marqueteiro do ex-presidente Michel Temer.
Os pagamentos federais à agência cresceram 82% na gestão Temer, segundo a Folha de S.Paulo, dado que a empresa contestou. Em 2021, a CPI da Covid aprovou a quebra dos sigilos da agência, que produziu para a Secom a campanha “Cuidado Precoce”, mas o STF suspendeu a medida por liminar. A Calia atendeu a Secom nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.

