Abin aponta suposta interferência dos EUA e da Rússia nas eleições durante reunião com europeus

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) relatou a representantes da França e da Alemanha a existência de supostas interferências dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras de 2026. As informações foram apresentadas durante uma reunião realizada em Brasília neste mês, segundo documentos e fontes consultados pela Reuters.

De acordo com um relatório elaborado por um dos participantes do encontro, integrantes da Abin teriam apontado que a atuação dos Estados Unidos iria desde a “instrumentalização do sistema jurídico” até uma interferência “admitida abertamente”. O documento não apresenta detalhes sobre a suposta participação russa.

A reunião ocorreu durante uma visita de delegações francesas e alemãs ao Brasil, entre 9 e 11 de setembro. O grupo discutiu a implementação da Lei de Serviços Digitais da União Europeia, além de possíveis respostas coordenadas antes das eleições brasileiras.

Participaram representantes da Viginum, agência francesa responsável pelo monitoramento de desinformação estrangeira, e da Arcom, órgão regulador de mídia e comunicações. Pela Alemanha, esteve presente a Agência Federal de Redes, responsável pela regulação de setores como telecomunicações e energia. A Arcom e a Viginum confirmaram a participação na visita. A agência alemã afirmou que uma possível interferência dos EUA nas eleições da Alemanha não foi discutida no encontro.

Segundo uma autoridade brasileira da área cibernética que participou da reunião e falou sob anonimato à Reuters, o número de ataques cibernéticos no Brasil quase dobrou em relação a 2025. Também houve aumento de invasões e tentativas de phishing contra a Presidência da República, que, segundo essa fonte, estariam relacionadas às eleições.

O relato ocorre em meio à preocupação de governos europeus com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a candidatos alinhados ao movimento Maga em diferentes países. No Brasil, a possibilidade de interferência americana na eleição também tem sido discutida publicamente.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu aos questionamentos da Reuters. O órgão já negou anteriormente qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras. A Abin e a Embaixada da Rússia no Brasil também não responderam aos pedidos de comentário. Moscou já negou, em outras ocasiões, interferência em eleições de outros países.