Há político que passa a campanha inteira atrás de empresário, partido, apoiador, amigo, parente e conhecido de ocasião em busca de uma forcinha financeira para se eleger, independente do cargo. Mas há ainda outra categoria de candidato, que não exclui a anterior. Na maioria dos casos, apenas complementa. São aqueles que resolvem tirar dinheiro do bolso para bancar os custos com a corrida eleitoral.
Na mais recente prestação parcial de contas das eleições de 2026, disponível no portal do TSE, 248 candidatos na Bahia registraram o chamado autofinanciamento, previsto por lei. Juntos, colocaram até o fechamento desta edição R$ 2,64 milhões nas próprias campanhas. É uma modalidade particularmente interessante de fé eleitora. Ou seja, antes de convencer o eleitor, é preciso convencer a si mesmo — e, de preferência, com dinheiro.
Na parte de cima da tabela, a primeira posição é dividida entre dois nomes. Um deles é o deputado estadual Vitor Azevedo (Avante). Candidato à reeleição, Azevedo tirou R$ 125 mil da carteira e aplicou na sua campanha. Colado com ele, aparece o ex-deputado e ex-prefeito de Porto Seguro Ubaldino Júnior (MDB), que investiu o mesmo valor – R$ 125 mil – para tentar retornar à Câmara Federal.
Coladinho neles, está Rui Oliveira (PCdoB), coordenador-geral licenciado da APLB, o sindicato dos professores da Bahia, e candidato a estadual, que aportou R$ 120 mil em si mesmo. Na sequência, vêm a ex-deputada estadual Fabiola Mansur (PV), que também resolveu não esperar pela generosidade alheia e colocou R$ 114,6 mil na campanha por mais um mandato na Assembleia Legislativa.
Na faixa dos R$ 100 mil aparecem mais cinco nomes: Ditinho Avivip (União Brasil), candidato a federal; Denise Menezes (PSD), esposa do ex-deputado Adolfo Menezes e que concorre a estadual; o deputado estadual Laerte do Vando (Avante), candidato à reeleição; o senador Ângelo Coronel (Republicanos); e por fim o deputado estadual Vitor Bonfim (PSB), que este ano tentará vaga na Câmara Federal.
Deputados ocupam o pelotão de baixo
Entre o 11º e 20º lugares do ranking de autofinanciamento, oito candidatos que já exercem mandato decidiram colocar dinheiro próprio na disputa. Na Câmara dos Deputados, aparecem Elmar nascimento (União Brasil), com R$ 90 mil; Dal Barreto (União Brasil), com R$ 70 mil; Zé Neto (PT), com R$ 63,5 mil; e Raimundo Costa (PSD), com R$ 50 mil. Todos são federais em exercício e concorrem novamente ao cargo.
Na Assembleia Legislativa, a lista traz Patrick Lopes (Avante), com R$ 54.335, e Roberto Carlos (PV), com R$ 50 mil. Também aparecem Zé Raimundo (PT) e Antônio Henrique Júnior (PV), ambos com R$ 47 mil. São parlamentares que já têm mandato e agora ajudam a financiar a própria tentativa de continuar nele.
O que é autofinanciamento
Autofinanciamento é quando o próprio candidato coloca recursos pessoais na campanha, em dinheiro ou por meio de bens e serviços estimáveis em dinheiro. A Lei Eleitoral permite esse tipo de aporte, mas estabelece um limite: o candidato pode usar recursos pessoais até 10% do teto de gastos definido para o cargo que disputa. O valor precisa ser declarado na prestação de contas e passar pelas regras de rastreabilidade financeira estabelecidas pelo TSE.
Na prática, o recurso próprio entra na contabilidade da campanha como uma fonte de financiamento diferente das doações de pessoas físicas, dos recursos partidários e do Fundo Eleitoral. Por isso, o valor informado como autofinanciamento permite identificar quanto cada candidato decidiu colocar do próprio patrimônio na disputa. A informação fica registrada na prestação de contas eleitoral e pode ser consultada no DivulgaCandContas, plataforma online da Justiça Eleitoral.

