Caso Banco Master: Wilson Gomes diz que revelações sobre Moraes não podem ser ignoradas

O caso envolvendo o Banco Master e as relações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o episódio ganhou novos contornos após a divulgação de informações sobre contratos milionários e benefícios ligados ao magistrado e à sua família. Durante o Jornal da Bahia no Ar, nesta quarta-feira (2), o professor Wilson Gomes avaliou as recentes revelações e defendeu cautela diante do que ainda pode surgir da investigação.

Para Wilson Gomes, o principal ponto de preocupação está na natureza do contrato firmado entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e empresas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o professor, a revisão do acordo reforça a avaliação de que Moraes tinha conhecimento sobre a relação estabelecida.

O professor também avaliou que as repercussões do caso não se limitam ao Supremo. Segundo ele, as investigações e as informações que vieram a público também podem atingir outros grupos políticos, especialmente diante de questionamentos sobre valores relacionados ao chamado Dark Horse. “Nesse momento, as revelações dizem respeito ao STF, mas também, ao mesmo tempo, têm implicações com relação ao Dark Horse, de que o dinheiro foi muito maior do que foi declarado. De um lado, você tem ministro do STF dizendo que não foi nada demais, e do outro, Flávio Bolsonaro dizendo que foi tudo normal”, afirmou.

Ao comentar especificamente a situação de Alexandre de Moraes e do ministro Dias Toffoli, Wilson Gomes afirmou que, diante do conjunto de informações reveladas, a permanência dos dois em determinadas posições passou a ser alvo de questionamentos. Ele citou editoriais de dois dos três maiores jornais do país que defenderam a renúncia ou algum tipo de afastamento de Moraes.

“Uma coisa é a posição de Alexandre de Moraes e também de Toffoli, que neste ponto, com todo esse conjunto de revelações, é uma posição insustentável. Dois editoriais dos três maiores jornais do país pedindo a renúncia ou algum tipo de afastamento do próprio ministro. São fatos demais e inegáveis. Então, alguma coisa precisa acontecer”, afirmou.

Wilson, no entanto, fez uma ressalva ao separar as críticas atuais à conduta de Moraes de sua atuação durante o governo de Jair Bolsonaro. Para o professor, os questionamentos sobre o episódio não anulam o papel desempenhado pelo ministro na defesa das instituições democráticas durante o período de maior tensão política.

Confira entrevista na íntegra: