Em apoio ao Vitória, FBF vai ao Cade contra privilégios do Atlético Mineiro na nova liga

Após o presidente do Vitória, Fábio Mota, acusar a liga Futebol Forte União (FFU) de privilegiar o Atlético Mineiro no acordo financeiro com a Sports Media Entertainment (SME) relativo aos direitos de transmissão e publicidade de 12 clubes que integram a Série A do Brasileirão, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) ingressou nesta segunda-feira (3) com um pedido no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que o órgão impeça a FFU de manter tratamento considerado desigual para o Rubro-Negro. Conforme noticiado pelo portal Metro1, Mota criticou publicamente a liga de descontar parte do valor antecipado ao time em 2025, mas liberar a equipe de Minas Gerais de realizar o mesmo pagamento previsto em contrato.

A SME é a principal investidora da FFU e, no ano passado, repassou R$ 68,2 milhões ao Vitória em troca de 15% das receitas futuras do clube relacionadas à transmissão e publicidade durante os jogos televisionados. De acordo com Mota, o problema está no fato de que o Atlético, concorrente direto do Leão na tabela do Campeonato Brasileiro, não vem sofrendo os descontos devidos por ele. Para a FBF, a prática afeta o time baiano e beneficia o Galo Mineiro.  

“A matéria discutida não diz respeito apenas a direitos individuais de determinados clubes, mas ao funcionamento concorrencial de um mercado cuja estabilidade interessa a toda a coletividade esportiva. Eventuais práticas capazes de conferir vantagens econômicas seletivas entre clubes que disputam as mesmas competições possuem potencial para afetar a isonomia esportiva, a integridade das competições e a livre concorrência”, destacou a federação baiana, em manifestação protocolada junto ao Cade, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda responsável por combater abusos de poder econômico.

Desde o início da temporada de 2026, segundo apurou o Metro1, o percentual de 15% devido pelo Vitória à SME vem sendo descontado na origem, antes de ingressar no caixa do clube. O montante repassado pelo Rubro-Negro já soma aproximadamente R$ 15 milhões este ano. Em contrapartida, o Atlético Mineiro, que cedeu fatia idêntica, não teve qualquer retenção de valores, embora o contrato com os dois times sejam iguais.

“A Sports Media é, a um só tempo, cocontratante de dezenas de clubes que disputam o mesmo campeonato e detentora de posição de governança no arranjo. Ao definir de quem retém e de quem não retém, ela determina, de fora da disputa esportiva, quanto de receita cada concorrente terá disponível na temporada”, argumentou a FBF, para quem a adoção de dois pesos e duas medidas no negócio referente aos direitos de transmissão provoca desequilíbrio injusto entre adversários diretos na mesma competição. 
  
No pedido ao Cade, a federação solicita que o órgão assegure tratamento igualitário aos times da nova liga, obrigando a SME a reter os repasses devidos pelo Atlético Mineiro e por quaisquer outros clubes que disputam a Série A, sob pena de multa diária R$ 250 mil em caso de descumprimento. Requer ainda que as equipes da FFU tenham o direito de deixar a entidade caso se sintam prejudicadas pelo que o Vitória classifica de prática desigual.  

Dissidência no futebol
Criada em 2022, a FFU é composta por clubes que romperam com outra liga do futebol brasileiro, a Libra, por insatisfações relativas aos repasses sobre os direitos de transmissão. Fora Vitória e Atlético Mineiro, que só terão o ingresso formalizado em 2030, outros dez times migraram para a FFU no segundo semestre do ano passado: Corinthians, Fluminense, Cruzeiro, Botafogo, Internacional, Vasco, Athletico Paranaense, Coritiba, Mirassol e Chapecoense.