Publicidade de bets: o que os brasileiros pensam de influenciadores que anunciam apostas

A explosão das casas de apostas transformou influenciadores, artistas e atletas em alguns dos principais rostos da publicidade das bets. Mas o retorno financeiro pode estar vindo acompanhado de um custo menos visível: o desgaste da imagem pública.

Uma pesquisa nacional da More in Common, realizada em parceria com o Ipsos-Ipec, revela que fazer propaganda de bets está associado à redução da confiança do público e ao fortalecimento de uma percepção negativa sobre artistas, atletas e influenciadores.

Segundo a pesquisa:

53% dizem que a propaganda de bets não altera a confiança em influenciadores, artistas ou atletas;
40% afirmam que não confiam ou passaram a confiar menos em quem faz esse tipo de publicidade;
apenas 4% dizem confiar mais.

Na prática, isso significa que, embora boa parte do público permaneça indiferente, entre aqueles cuja opinião muda o movimento é amplamente negativo.

A crítica vai além da publicidade

Os pesquisadores também perguntaram, de forma espontânea, o que as pessoas pensam quando veem um influenciador divulgando apostas. Mais da metade (51%) das respostas foram negativas, contra apenas 9% de avaliações positivas. Outros 19% fizeram comentários neutros.

As críticas se concentram em quatro grandes grupos:

22% fazem julgamentos morais, classificando esses influenciadores como irresponsáveis, gananciosos, manipuladores ou sem ética;
17% associam esses influenciadores a danos sociais, como incentivar apostas, explorar pessoas vulneráveis e estimular comportamentos que podem levar ao vício e ao endividamento;
8% entendem que fazem esse tipo de publicidade apenas pelo dinheiro;
4% afirmam que quem anuncia bets perde credibilidade, merece ser punido ou até proibido de fazer esse tipo de publicidade.

As respostas indicam que a crítica não está restrita ao produto anunciado. Em muitos casos, ela recai diretamente sobre o caráter e a responsabilidade social de quem empresta sua imagem às plataformas.

Quanto maior a renda e a escolaridade, maior a rejeição

Um dos principais achados do levantamento é que a desaprovação cresce justamente entre pessoas com maior renda e escolaridade. Segundo a análise da More in Common, esse é um dado relevante porque esses segmentos estão entre os mais valorizados pelo mercado publicitário.

Entre pessoas com ensino superior:

45% dizem passar a confiar menos em quem anuncia bets;
58% apresentam avaliações espontâneas negativas.

Já entre quem possui renda superior a cinco salários mínimos:

44% afirmam confiar menos;
59% fazem avaliações negativas sobre esses influenciadores.
Na outra ponta, entre brasileiros com renda de até um salário mínimo, o percentual de quem passa a confiar menos cai para 31%.

O levantamento, realizado entre os dias 4 e 8 de julho, ouviu 2 mil pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios brasileiros.