Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 23 de julho de 2026
A disputa pela Bola de Ouro está mais aberta do que nunca. Além dos critérios avaliados ao longo da temporada europeia — o desempenho individual, as conquistas coletivas e o fair play —, a Liga dos Campeões não será a única competição decisiva para a eleição. Isso porque, em ano de Copa do Mundo, o torneio de maior peso para os votos é o Mundial. Diferentemente de outras ocasiões, a edição de 2026 da Bola de Ouro ainda não tem um favorito, mas vários nomes de peso estão entre os postulantes.
O inglês Harry Kane era o grande favorito antes da Copa, com seus mais de 70 gols na temporada europeia. No aspecto coletivo, no entanto, ele conquistou o Campeonato Alemão, a Supercopa da Alemanha e a Copa da Alemanha, troféus pouco decisivos para vencer uma Bola de Ouro. Nas competições mais relevantes, a Liga dos Campeões e a Copa do Mundo, Kane foi eliminado nas semifinais.
O francês Kylian Mbappé quebrou inúmeros recordes, como o de maior artilheiro da história da Copa, e conquistou a artilharia dos principais campeonatos, mas não venceu nenhum título e pouco acrescentou nos jogos mais importantes do Real Madrid e da seleção francesa. Dembelé fez uma grande temporada em nível de clubes, tanto individualmente quanto coletivamente, com a conquista do bicampeonato da Liga dos Campeões. Entretanto, não se destacou no Mundial.
Um nome que surgiu no apagar das luzes foi Lionel Messi, que chegou a ser muito cotado para vencer sua nona Bola de Ouro graças ao desempenho histórico na Copa do Mundo, em que carregou a Argentina até a final, com reviravoltas inesperadas de roteiro. Porém, Messi atua no futebol dos Estados Unidos, que não tem peso algum para a premiação, além de ter feito uma final apagada contra a Espanha, assim como o restante da seleção argentina.
É impossível falar desta eleição sem mencionar um jogador da equipe campeã do mundo. Lamine Yamal fez uma temporada de altíssimo nível como protagonista do Barcelona, foi campeão espanhol e melhor jogador do torneio, além de decisivo na Liga dos Campeões, mesmo com a eliminação do Barça nas quartas de final. Ele desfilou em campo representando um estilo de jogo do qual o futebol sente falta: um driblador criativo, com identidade brasileira, reúne um desempenho individual acima da média e a conquista coletiva máxima do futebol.
Escolha polêmica
A eleição de Rodri como o “Melhor Jogador da Copa do Mundo” protagonizou mais uma polêmica neste mundial. A Fifa, sob alegações de favorecer Messi, decidiu tirar dele um prêmio que já estava praticamente certo. A atuação de Rodri no torneio foi excelente, sobretudo na final, porém esteve longe de limpar as chuteiras do argentino, que não teve um coletivo tão eficiente quanto o espanhol. No entanto, eleições injustas não são novidade na carreira de Rodri, que venceu a Bola de Ouro 2024, da qual Vinicius Júnior era amplamente favorito. Sabe-se lá se não vão inventar de premiá-lo novamente este ano.
Limites superados
A Copa do Mundo 2026 foi o torneio da queda de recordes, o de maior artilheiro da história da competição foi quebrado duas vezes, primeiro por Messi e depois por Mbappé; o de maior assistente da história foi quebrado por Messi, agora com 12 assistências; Michael Olise superou Pelé em 1970 e distribuiu sete passes para gol numa única edição de Copa. Se o campeonato aumentar de 48 para 64 participantes, vai ser ainda mais fácil inflar números contra seleções mais fracas.

