O alcance de milhões de pessoas obtido pela CazéTV nas transmissões da Copa de 2026 pelo YouTube acende um alerta sobre o poder das plataformas digitais para também organizar debates eleitorais. Em participação no programa Três Pontos desta quarta-feira (22), o jornalista Bob Fernandes avaliou que esse formato pode abrir espaço para encontros sem as mesmas regras, responsabilidades e mecanismos de controle exigidos das emissoras brasileiras.
“O debate eleitoral do Brasil é submetido às leis de radiodifusão do Brasil. Se isso for feito por um Google, por exemplo, isso não está sujeito à legislação brasileira. E aí, como é que fica? É essa a questão?”, disse.
O risco apontado pelo jornalista está no que poderia surgir desse ambiente: debates com critérios próprios para convites, perguntas, mediação e distribuição do conteúdo, além da possibilidade de favorecimento, desinformação ou tratamento desigual entre candidatos. Para Fernandes, a força adquirida pelas plataformas com as transmissões esportivas mostra que elas já possuem alcance e estrutura suficientes para interferir diretamente na dinâmica da disputa presidencial.
“Isso é uma possibilidade absolutamente crescente e, como o futebol todo se sujeitou a isso, não duvido. Você acha que o Fábio Bolsonaro não toparia jogar o jogo dele nesse território dele, que é o território sem lei?”, concluiu.
Confira o programa na íntegra:

