Quem foi o vilão da queda do Brasil? Eliminação da Copa do Mundo teve mais de um culpado

Matéria publicada originalmente no Jornal Metropole em 9 de julho de 2026

Desde 2002, a cada quatro anos, o torcedor já espera pelo dia em que o Brasil será eliminado da Copa do Mundo. Pela terceira vez consecutiva, a Seleção cai para uma equipe europeia emergente. Primeiro foi a Bélgica, em 2018; depois a Croácia, em 2022; e agora a Noruega. Isso mesmo apontado como favorito em todos os confrontos. Esta foi a pior campanha em Mundiais desde 1990, quando também caiu nas oitavas de final. Dentre tantos erros que resultaram na queda, a questão é: de quem é a culpa? 

Os mais fáceis de vilanizar são Bruno Guimarães e Endrick, pois um perdeu pênalti e o outro perdeu a chance que tanto esperava para fazer jus ao apelo popular por sua titularidade. Mas a verdade é que, mesmo com tais oportunidades perdidas, o jogo ainda estava zero a zero. O pior veio depois, no apagão defensivo do Brasil que provocou os dois gols de Haaland.

É muito difícil justificar Vini Júnior e Endrick não pressionarem a saída de bola norueguesa, enquanto a Seleção perdia. Os jogadores não pareciam estar diante da eliminação, mas sim em um amistoso qualquer. Pareciam apáticos e conformados com o resultado. Mesmo atrás no placar, o Brasil seguiu recuado para não se expor e tomar mais gols. O que é reflexo de um time em que o medo de perder foi maior que a vontade de vencer, dos jogadores ao técnico.

As péssimas intervenções de Carlo Ancelotti também foram responsáveis por condenar a Seleção. As entradas de Neymar e Danilo Baiano mudaram novamente o estilo de jogo da equipe, saindo da transição rápida para um time de construção lenta. As mudanças ainda foram pouco antes da parada técnica, o que deu oportunidade para a Noruega se adaptar ao novo modelo de jogo do Brasil. 

Ancelotti morreu abraçado com seus “homens de confiança”, aos quais se recusou a abrir mão: Casemiro e Danilo, ambos duramente criticados. O treinador insistiu em erros claros que o campo já os indicava há tempos. Apesar de tudo, é impossível eleger só um responsável pela derrota, visto que essa eliminação começou antes da competição iniciar, com muitas trocas de técnico, politicagem na CBF e ciclo instável.

Craques sem Copa

Neymar encerrou sua história na Seleção Brasileira e se juntou a Zico, Johan Cruyff e Puskás como um dos grandes craques que não venceram a Copa do Mundo. Durante sua trajetória no torneio, foi o terceiro maior artilheiro da história do Brasil, com nove gols, atrás somente de Pelé e Ronaldo Fenômeno. Sua carreira em Copas é marcada por lesões, já que em todas as edições que participou, teve problemas físicos que o impediram de jogar. 

CR7 frustrado

Cristiano Ronaldo é outro grande nome que dá adeus às Copas do Mundo. Com três gols nesta edição, a seleção portuguesa liderada por CR7 não foi capaz de derrotar a Espanha, mas o craque fez sua segunda participação com mais gols em Copas, perdendo apenas para 2018, quando balançou as redes quatro vezes. Mesmo estando entre os dez jogadores com mais gols na história do torneio, nunca conseguiu uma performance que fizesse jus ao seu tamanho no esporte.