O coronel da reserva da Polícia Militar da Bahia, Antonio Luís dos Santos Filho, defendeu o uso da tecnologia de reconhecimento facial como ferramenta para fortalecer a segurança pública, desde que a aplicação ocorra com protocolos rígidos e supervisão humana. A avaliação foi feita durante a entrevista na Metropole.
Segundo o coronel, o debate sobre o tema costuma dividir opiniões, mas a atuação policial não pode prescindir de recursos tecnológicos. “Estamos no século XXI e não podíamos e nem podemos querer que a polícia atue sem tecnologia”, afirmou.
Para ele, o uso da ferramenta precisa estar aliado à responsabilidade. “Não é dar um cheque em branco para fazer tudo da maneira que quiser. É fazer as coisas com ética, com responsabilidade, com norma, com regulação, com protocolo”, disse.
Ao abordar críticas relacionadas à privacidade e ao racismo, Santos Filho sustentou que o sistema utilizado na Bahia busca apenas pessoas com mandados de prisão em aberto cadastradas no Banco Nacional de Monitoramento de Prisão.
O coronel também citou resultados da ferramenta no estado. Segundo ele, desde 2019, o reconhecimento facial contribuiu para a captura de mais de 5,3 mil foragidos da Justiça na Bahia. “Se não tivesse sido capturado 5 mil, hoje estaríamos quase com 19 mil foragidos e procurados”, afirmou.
Na avaliação de Santos Filho, um dos diferenciais do modelo baiano é a participação humana em todas as etapas da verificação. “A validação e a intervenção humana são imprescindíveis.” Não existe tecnologia sem a validação humana”, disse. Ele acrescentou que, até o momento, “a Bahia não tem uma prisão indevida, fruto da tecnologia”, atribuindo esse resultado aos protocolos adotados pela Secretaria da Segurança Pública.
Confira a entrevista na íntegra:

