Bob Fernandes critica bombardeio digital e influência das big techs na percepção da realidade

A influência crescente das telas digitais sobre a forma como as pessoas enxergam o mundo, consomem informação e constroem suas opiniões foi tema de uma análise do jornalista Bob Fernandes durante o programa Três Pontos desta quarta-feira (17). Ao comentar os impactos da tecnologia na vida contemporânea, ele relacionou o fortalecimento das plataformas digitais à difusão de ideologias, à concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia e à capacidade de moldar comportamentos em escala global.

“Ela fala da apatia e eu noto uma coincidência entre a chamada desregulamentação financeira e a imposição do neoliberalismo no final dos anos 80, início dos anos 90, aquilo que o Krenak chama de destruição do trabalho, no século XX, e a imposição dessa ideologia poderosamente a partir disso aqui, das telas”, apontou.

Na avaliação de Fernandes, as redes sociais e plataformas digitais se transformaram em instrumentos centrais de influência política, econômica e cultural. Segundo ele, a realidade passou a ser filtrada por algoritmos que distribuem informações, emoções e interesses comerciais de forma permanente, criando um ambiente marcado por estímulos incessantes. O jornalista observou que guerras, crises internacionais e disputas políticas dividem espaço com campanhas publicitárias e conteúdos produzidos para capturar atenção a qualquer custo.

“As telas bombardeiam a gente o dia inteiro, é disso que ela trata ontem, e desmobilizam as pessoas, que é tamanho conjunto de desgraças, e eles ficam impondo, impondo, impondo, pacotes de ódio para cada um de nós”, disse.

Ao exemplificar o alcance desse fenômeno, Bob citou o caso do goleiro Vozinha, de Cabo Verde, que alcançou milhões de seguidores em poucos dias após viralizar nas redes sociais. Para ele, a mesma estrutura que produz engajamento e empatia também impulsiona sentimentos negativos e formas de manipulação. “Isso, eventualmente, é engraçado, eventualmente é favorável, mas muitas vezes isso é profundamente desfavorável, porque isso também trabalha com ódio, além de trabalhar com empatia”, concluiu. O jornalista também criticou o excesso de publicidade nas plataformas e transmissões esportivas, classificando o atual ambiente digital como um espaço de exposição contínua a interesses comerciais.

Confira a entrevista na íntegra: