O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (16) que o Estreito de Ormuz será totalmente reaberto a partir de sexta-feira (19), data prevista para a assinatura formal do acordo entre Washington e Teerã que busca encerrar mais de três meses de guerra no Oriente Médio.
A declaração foi feita durante encontro com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, à margem da cúpula do G7, realizada em Evian, na França.
Segundo Trump, a reabertura da estratégica rota marítima ocorrerá de forma imediata após a assinatura do acordo em Genebra, na Suíça. O estreito teve sua operação parcialmente interrompida pelo Irã em resposta aos ataques realizados por Estados Unidos e Israel no início do conflito.
“O Irã quer resolver isso. Eles precisam retomar os negócios, e o relacionamento agora está normalizado, então acho que vai acontecer bem rápido”, afirmou o presidente norte-americano.
Acordo ainda depende de etapas
Embora o entendimento tenha sido anunciado no último fim de semana, o conflito ainda não foi oficialmente encerrado. O documento prevê inicialmente um cessar-fogo enquanto os dois países negociam um tema considerado central: o futuro do programa nuclear iraniano.
Pelo cronograma divulgado pelas partes, as discussões sobre a questão nuclear devem durar até 60 dias. Somente após esse período, caso haja consenso, o acordo poderá resultar no encerramento definitivo da guerra.
Trump voltou a afirmar que o tratado garante que o Irã não desenvolverá armas nucleares e disse esperar uma solução rápida para as negociações futuras envolvendo o enriquecimento de urânio.
Texto será divulgado nos próximos dias
O presidente dos EUA também informou que pretende divulgar a íntegra do acordo nos próximos dias e submetê-lo ao Congresso norte-americano.
Segundo Trump, a versão presencial da assinatura ocorrerá na sexta-feira, em Genebra. Embora o documento já tenha sido assinado virtualmente pelos representantes dos dois países, autoridades iranianas ainda tratam o texto como um memorando de entendimento até a formalização presencial.
Entre os pontos já divulgados pela imprensa estatal iraniana estariam um pacto de não agressão entre os envolvidos, a retomada da navegação comercial no Oriente Médio, discussões sobre compensações pelos danos causados pela guerra e a flexibilização gradual das sanções econômicas impostas ao Irã.
Impasse sobre programa nuclear permanece
O principal ponto de divergência continua sendo o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem o encerramento completo das atividades de enriquecimento de urânio, argumentando que elas podem ser utilizadas para a produção de armas nucleares.
O governo iraniano nega a acusação e sustenta que seu programa possui fins exclusivamente civis.
Outro tema que ainda gera dúvidas é a operação do Estreito de Ormuz. Embora ambos os governos afirmem que a navegação será retomada, o Irã ainda não detalhou como ocorrerá a reabertura. Teerã também anunciou a intenção de cobrar uma taxa de serviço dos navios que cruzarem a passagem marítima, medida que, segundo Trump, não estaria prevista no acordo.
O estreito é considerado uma das rotas mais importantes do comércio global de petróleo e sua interrupção foi um dos principais fatores de preocupação econômica durante o conflito.

