“É uma gangsterização da política brasileira”, diz Vladimir Safatle ao criticar o Congresso

O filósofo e escritor Vladimir Safatle fez duras críticas ao Congresso Nacional e ao modelo político brasileiro durante entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (16). Ao comentar a atuação de lideranças políticas e a dinâmica de funcionamento do Legislativo, ele afirmou que o país atravessa um processo de deterioração da representação política.

“É uma gangsterização da política brasileira, no sentido mais explícito do termo”, declarou.

Segundo Safatle, parte significativa da classe política deixou de apresentar projetos nacionais e passou a atuar prioritariamente na defesa de interesses locais e grupos de poder. Na avaliação do filósofo, isso ajuda a explicar a crise de representatividade vivida pelo país.

“São meros negociadores dos seus interesses locais, eles são meros agenciadores dos seus interesses de gangue local”, afirmou ao comentar o perfil de lideranças que ocupam posições de destaque no Congresso.

Durante a entrevista, Safatle questionou a trajetória e a representatividade de alguns dos principais nomes da política nacional. Para ele, a ascensão dessas lideranças está mais relacionada à capacidade de construir acordos de poder do que à formulação de projetos para o país.

“A não ser essa capacidade de você conseguir construir arranjos de gangues locais, essa é a única função que o Congresso tem atualmente”, disse.

Ao analisar o cenário político brasileiro, o filósofo argumentou que a crise atual não pode ser explicada apenas por resultados eleitorais ou pela disputa entre diferentes grupos políticos. “É resultado do limite brutal desse modelo de organização dos poderes que a gente conheceu nesses últimos tempos”, avaliou.

Transformações estruturais

O filósofo também disse que o Brasil precisa construir uma agenda capaz de responder às demandas por mudanças profundas na sociedade. Segundo ele, existe um sentimento crescente de insatisfação que exige respostas estruturais e não apenas reformas pontuais.

Na avaliação de Safatle, a ausência desse debate tem aberto espaço para que a extrema direita apresente suas próprias respostas para o descontentamento social.

“O que é triste nesse momento é que uma parte desse pedido está sendo respondido pela extrema direita, pelo fascismo nacional, que é sempre um projeto de transformação estrutural, mas uma transformação estrutural conservadora”, disse.

Confira na íntegra: