O escritor e cronista Antônio Prata afirmou que o Brasil está entrando em um mercado que já faz sucesso na Ásia e nos Estados Unidos: o das novelas produzidas exclusivamente para celulares. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta segunda-feira (15), ele apresentou o Tele Tele, plataforma brasileira voltada para os chamados microdramas, com capítulos curtos e formato adaptado às telas dos smartphones.
“Isso foi uma coisa que surgiu na China, um pouco antes da quarentena. São novelas feitas especialmente para celular e são microdramas porque são novelas que têm capítulos de um a três minutos. São 40 ou 60 capítulos que, em uma sentada de uma hora e meia, você vê a novela inteira”, explicou.
Segundo Prata, o formato se popularizou rapidamente em diversos mercados internacionais, o que motivou a criação de uma alternativa nacional. Para ele, o Brasil não poderia ficar de fora de um segmento que dialoga diretamente com a tradição do país na produção de telenovelas. “Explodiu na Ásia, depois nos Estados Unidos e está chegando na América Latina. Pensamos que o Brasil é um grande exportador de telenovelas e a gente estava perdendo isso. Eu e meu sócio resolvemos fazer novelas brasileiras, de qualidade, para celular. Aí fizemos o Tele Tele, que é um aplicativo para celular”, disse.
O escritor destacou que a produção mantém características semelhantes às das novelas tradicionais, mas exige adaptações tanto na linguagem visual quanto na narrativa. “A produção é muito parecida com a de uma novela normal, com a diferença de que pegamos a câmera e deitamos. Fazemos a produção e colocamos no aplicativo”, afirmou.
Prata ressaltou ainda que a principal mudança está na escrita dos roteiros, que precisam acompanhar o ritmo acelerado de consumo das plataformas digitais. “A diferença é a escrita porque os capítulos são curtíssimos, tem que ter um gancho a cada dois ou três minutos”, concluiu. Segundo ele, a proposta é oferecer conteúdo de qualidade pensado especificamente para o celular, acompanhando os novos hábitos de consumo audiovisual.
Confira entrevista na íntegra:

