A poucos dias da estreia na Copa do Mundo de 2026, o governo do Irã elevou a tensão em torno da participação da seleção nacional no torneio. Autoridades do país afirmaram ter informado à Fifa que a equipe poderá abandonar partidas caso ocorram manifestações políticas nos estádios contra a República Islâmica.
A declaração foi feita pelo ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, em entrevista ao portal local Varzesh3. Segundo ele, a posição foi comunicada formalmente à entidade responsável pela organização da Copa.
“Informamos à Fifa que os membros da seleção nacional deixariam a partida assim que ouvissem slogans políticos nos estádios”, afirmou.
Além dos protestos, o governo iraniano demonstrou preocupação com a presença de símbolos associados à oposição ao regime. Donyamali disse que Teerã pediu à Fifa que apenas a bandeira oficial do país seja permitida durante os jogos.
“O segundo ponto que enfatizamos foi que apenas a bandeira oficial deveria ser considerada legal, e não a antiga bandeira persa com o leão e o sol. A equipe também abandonaria o campo nesses casos”, declarou.
Estreia cercada por tensão
A seleção iraniana estreia na próxima terça-feira (16) contra a Nova Zelândia. Depois, enfrenta a Bélgica e encerra a fase de grupos diante do Egito.
As duas primeiras partidas serão disputadas em Los Angeles, cidade que concentra uma das maiores comunidades iranianas fora do país e abriga milhares de opositores do atual regime. O cenário aumenta a expectativa para possíveis manifestações políticas durante os jogos.
Nos últimos meses, a participação do Irã no Mundial já vinha sendo acompanhada de perto em razão de questões diplomáticas envolvendo vistos, deslocamentos e segurança da delegação.
Como parte da estratégia para reduzir a permanência em território americano, a Federação Iraniana de Futebol decidiu instalar sua base de treinamento em Tijuana, no México. Com isso, a delegação viajará aos Estados Unidos apenas nos dias das partidas.

