O professor, músico e compositor Paulo Costa Lima afirmou que a diversidade cultural da Bahia é um dos principais fatores que explicam a força criativa e a relevância da produção musical do estado. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta segunda-feira (8), ele destacou que a riqueza de influências históricas e culturais transformou a Bahia em um ambiente singular para o surgimento de artistas e movimentos musicais reconhecidos nacional e internacionalmente.
Segundo o professor, a criação musical está diretamente ligada à convivência entre diferentes tradições, experiências e saberes. “A inteligência musical é filha da diversidade. A Bahia é um laboratório dessa mistura, um laboratório vivo”, afirmou. Para ele, manifestações populares como o São João representam espaços privilegiados de encontro cultural e demonstram a capacidade do povo baiano de transformar influências distintas em expressões artísticas próprias.
Paulo Costa Lima ressaltou ainda que a valorização da diversidade tem ganhado espaço em diferentes partes do mundo, mas observou que a criatividade não nasce apenas da mistura de elementos culturais. De acordo com ele, o diferencial baiano está na forma como essas contribuições foram incorporadas ao longo do tempo e transformadas em uma identidade musical própria. “Nós somos o resultado desses aportes tão distantes e fomos desenvolvendo maneiras de construir as coisas do nosso jeito”, explicou.
Ao destacar a importância da Bahia para a música brasileira, o compositor citou nomes que marcaram diferentes gerações e estilos. “Me diga um outro lugar que tenha um Caetano, Gil, Bethânia, Gal, Caymmi, Raul Seixas, que tenha os blocos afro, uma Ivete, uma Daniela, uma Margareth”, declarou. Segundo ele, a lista representa apenas uma parte da produção artística construída no estado ao longo dos séculos.
Para Paulo Costa Lima, a vocação musical baiana não é um fenômeno recente, mas resultado de um processo histórico marcado pelo encontro de diferentes culturas e conhecimentos. “Está cheio de gente importante que faz música. Isso já acontecia no século XIX. A Bahia é um lugar fertilizado por tantos saberes”, concluiu.
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