Irã cita avanços em diálogo com EUA, mas afasta acordo imediato

O governo do Irã afirmou, nesta segunda-feira (25), que houve avanços nas negociações com os Estados Unidos, mas descartou a possibilidade de um acordo iminente. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, durante coletiva em Teerã.

Segundo Baghaei, ainda não há garantias de que os norte-americanos cumprirão os compromissos discutidos nas conversas diplomáticas. O porta-voz também afirmou que o programa nuclear iraniano segue fora das negociações neste momento e reforçou que Teerã exige o fim dos conflitos em diferentes frentes da região, incluindo o Líbano.

O representante iraniano criticou as constantes mudanças de posição do governo de Donald Trump, afirmando que declarações contraditórias dificultam o avanço das tratativas entre os dois países.

Baghaei também comentou a proposta iraniana relacionada ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Ele negou que o Irã pretenda cobrar pedágio pela passagem de embarcações, classificando a medida como uma taxa por serviços ligados à navegação e proteção ambiental.

Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

EUA reduzem expectativas

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também evitou criar expectativa sobre um acordo rápido. Em viagem à Índia, Rubio afirmou que Washington pretende priorizar a diplomacia antes de considerar outras alternativas para o conflito.

Nos bastidores, autoridades americanas afirmam que há discussões sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e possíveis medidas relacionadas ao estoque de urânio enriquecido do Irã. Ainda assim, os dois países seguem divergindo sobre temas como o programa nuclear iraniano, o conflito envolvendo Israel e Hezbollah e o levantamento de sanções econômicas contra Teerã.