“Precisamos ser resilientes”, diz Fachin sobre ataques a magistrados

Em meio a questionamentos e críticas sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que a magistratura precisa ser “resiliente” diante de críticas infundadas e ataques ao Poder Judiciário.

“Permitam-me dirigir uma palavra à magistratura brasileira. Às mulheres e aos homens que honram diariamente a toga em cada canto deste país continental. Somos profissionais vocacionados. Não desconhecemos as adversidades do nosso tempo. Precisamos ser resilientes diante das incompreensões e dos ataques — por vezes infundados — dirigidos às nossas atividades e às prerrogativas da magistratura”, afirmou o magistrado durante discurso de abertura no 20º Encontro Nacional do Poder Judiciário nesta segunda-feira (11).

Ainda em sua declaração, o ministro afirmou que, em momentos difíceis, os juízes são chamados a reafirmar sua essência e devem agir com serenidade, firmeza e sabedoria. Para ele, os gestores do Poder Judiciário são empreendedores de confiança e precisam agir contra tudo que reduz a credibilidade da categoria.

“Temos que agir contra quem dilui a confiança no Poder Judiciário. Sejam externalidades, sejam também questões internas do poder Judiciário, para as quais precisamos ter olhos de ver e ouvidos de ouvir para enfrentá-las”, afirmou Fachin.

A declaração de Fachin é feita em um momento de crise de credibilidade da Corte, ocasionada principalmente pela revelação de relações pessoais e financeiras de ministros do STF com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.  

Em abril, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, pediu indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Vieira sustenta que os magistrados deveriam ter se declarado impedidos de julgar processos ligados ao Master, devido a supostos vínculos com pessoas relacionadas ao caso, como Vorcaro. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela comissão.