Recusa a Jorge Messias no STF expõe fragilidade política do governo, diz Wilson Gomes

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma derrota política do governo, segundo o cientista político Wilson Gomes. Em entrevista à Rádio Metropole, nesta segunda-feira (4), ele afirmou que o episódio traz “muitas lições a serem tiradas disso e na política”.

Para Gomes, o resultado reflete uma mudança na relação entre o Executivo e o Congresso. “Hiena não morde leão, só se achar que está fraco”, disse, ao comentar o que classificou como uma vitória do Legislativo sobre o governo. Na avaliação do professor, a decisão indica que parlamentares passaram a perceber o presidente em posição de vulnerabilidade.

O cientista político também destacou o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, se houve espaço para barrar a indicação sem receio de retaliação, isso sugere cálculo político e eleitoral. “Certamente fez contas e acredita que Lula pode não ganhar a eleição”, afirmou.

Ainda de acordo com Gomes, a leitura predominante no Senado é de que Lula enfrenta fragilidade não apenas política, mas também eleitoral. “Ele fez uma aposta, uma aposta alta (…). Alcolumbre não parece um suicida político como foi Eduardo Cunha, fez conta de padeiro e calculou que Lula não esteja no cargo no ano que vem”, concluiu.