O Banco de Brasília (BRB) informou nesta segunda-feira (20) que firmou um memorando de entendimento com a Quadra Capital para criar um fundo de investimento destinado à transferência de ativos hoje mantidos pela instituição.
Esses ativos têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master. A operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista, enquanto o restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será estruturado para administrar e monetizar os ativos.
Segundo o banco, a iniciativa integra um processo de reestruturação com foco em fortalecer a estrutura de capital, ampliar a liquidez e aprimorar a gestão do portfólio. A instituição afirma ainda que a operação pode contribuir para a racionalização patrimonial, com impactos positivos na organização financeira.
A conclusão do negócio depende do cumprimento de condições previstas no memorando. O BRB informou que seguirá comunicando o mercado sobre avanços relevantes, conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários.
Negociação já vinha sendo discutida
Na sexta-feira (10), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse que um fundo de investimentos havia proposto pagar R$ 15 bilhões por parte dos ativos vinculados ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e posteriormente adquiridos pelo BRB.
O anúncio não detalhava quais ativos estariam incluídos na proposta nem o nível de risco dos papéis. Ainda não há confirmação se o acordo anunciado nesta segunda-feira é o mesmo mencionado anteriormente.
O Ministério Público Federal aponta que, entre 2024 e 2025, o BRB injetou ao menos R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Desse total, cerca de R$ 12,2 bilhões envolvem operações com indícios de fraude.
Na quinta-feira (9), Celina Leão e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, estiveram em São Paulo para reuniões com investidores, representantes do Fundo Garantidor de Créditos e com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo.

