A pressão por respostas imediatas em aplicativos de mensagem e as mudanças nas formas de conversar na era digital foram tema de debate entre Mário Kertész e Marcelo Kertész durante o programa Conversas Inúteis sobre o que Ninguém Pediu, exibido nesta sexta-feira (6). Pai e filho refletiram sobre como a expectativa por respostas rápidas tem influenciado relações pessoais, gerado constrangimentos cotidianos e revelado novas nuances da comunicação moderna, marcada por notificações incessantes e pela presença crescente da inteligência artificial nas trocas de mensagens.
“Tem até um cidadão que eu gosto, que eu trabalho aqui, ele manda uma pergunta para mim. Às vezes, por exemplo, eu tô lendo um livro, aí começam [as notificações]. Aí bota no silencioso, mas a luzinha acende. Aí quando eu demoro muito, ele bota uma mensagem assim ‘toc, toc, toc’,. Aí eu respondo: ‘toc, toc, toc a uta que te pariu’, agora que eu não vou responder. Pronto. Então o melhor pra isso é você pirraçar quanto mais apressada a pessoa”, disse MK
Durante a conversa, pai e filho também analisaram a avalanche de notificações que muitas vezes transforma diálogos simples em sequências intermináveis de alertas. MK chegou a brincar com o envio fragmentado de mensagens — uma após outra — enquanto Marcelo comentou o incômodo com o som constante das notificações. No raciocínio dos dois, a dinâmica digital cria pequenas tensões sociais: responder rápido virou sinal de atenção, enquanto o silêncio pode ser interpretado como desinteresse, mesmo quando a pessoa apenas decidiu esperar para responder.
“E agora tem também as mensagens do chat GPT, que é quando você percebe que a pessoa, que era uma pessoa que tinha uma ortografia duvidosa, que tinha uma articulação de palavras um pouco truncada, de repente, torna-se de uma hora pra outra um literado, uma pessoa que escreve mensagens longas, bem estruturadas e cheias de travessão. Aí você já sabe que a mensagem é chat GPT. Aí você manda pro chat GPT também e fala assim, ó ‘resume essa mensagem pra mim e me dê em duas linhas’. E pronto”, concluiu Marcelo Kertész.
Confira o programa na íntegra:

