Embaixador do Brasil no Irã relata dificuldade de comunicação e alerta sobre ataques dos EUA: “não adianta matar lideranças”

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, alertou sobre os riscos da estratégia americana de eliminar lideranças iranianas para forçar a população a assumir o poder. Em entrevista à CNN, ele disse que “não adianta matar lideranças e pedir ao povo ocupar” e que ainda é muito cedo para prever a queda do regime. Guimarães também informou que cerca de 200 brasileiros vivem no Irã, principalmente mulheres casadas com iranianos, que estão enraizadas no país e não planejam sair.

O diplomata relatou que os ataques dos Estados Unidos e de Israel são contínuos e têm usado inteligência avançada para mapear a estrutura iraniana. Ele descreveu Teerã como uma cidade normalmente movimentada, agora quase deserta, e contou que recebeu alertas das autoridades locais para se retirar da capital. Segundo Guimarães, há um choque de realidade entre alguns iranianos que imaginavam uma transição rápida e pacífica após os ataques.

O diplomata destacou que o país possui cerca de 300 mil homens armados entre a Guarda Revolucionária e forças paramilitares, tornando improvável que civis tomem o poder se o regime cair. Ele explicou que a ausência de negociação poderia gerar instabilidade e movimentos insurrecionais. Guimarães alertou que é preciso cautela, pois não adianta apenas eliminar líderes sem planejar o retorno à negociação.

O embaixador destacou ainda a dificuldade de comunicação no país, com cortes de internet e limitações nos telefones. Segundo ele, o cenário é de imprevisibilidade e tensão, e qualquer avanço da população ou tentativa de mudança abrupta pode enfrentar resistência armada significativa, mantendo o Irã em alerta máximo.