Trump admite que ações anti-imigração em Minneapolis poderiam ter sido “mais delicadas”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (4) que as ações contra imigrantes em Minneapolis poderiam ter sido conduzidas com mais cautela. A declaração foi feita durante entrevista à NBC News, concedida no Salão Oval, após operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) resultarem na morte de dois cidadãos americanos.

Questionado sobre o que teria aprendido com a atuação das autoridades na cidade, Trump respondeu que, apesar da necessidade de firmeza no combate à imigração irregular, as ações poderiam ter sido mais cuidadosas. “Aprendi que talvez pudéssemos ser um pouco mais delicados. Mas ainda é preciso ser firme”, afirmou.

O presidente também disse ter mantido contato com autoridades locais após os episódios. “Estamos lidando com criminosos realmente perigosos. Mas veja bem, eu liguei para as pessoas. Liguei para o governador. Liguei para o prefeito. Conversei com eles. Tive ótimas conversas com eles. E aí eu vejo eles gritando e esperneando por aí. Literalmente como se nenhuma ligação tivesse sido feita”, declarou.

As operações do ICE em Minneapolis fazem parte de uma ação em massa para captura e deportação de estrangeiros em situação irregular. A forma como as intervenções foram conduzidas gerou protestos de grande escala na cidade e em outras regiões do país.

Manifestantes vêm se mobilizando há dias contra a morte de dois cidadãos americanos baleados por agentes federais. Um dos casos envolve o enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez disparos durante uma ação do ICE em 24 de janeiro. Trump chegou a classificá-lo como “encrenqueiro”. Antes dele, a mãe de 37 anos Renee Good morreu após ser baleada por um agente do órgão, em 7 de janeiro.

Retirada parcial de agentes

Ainda nesta quarta-feira (4), o governo norte-americano anunciou a retirada de 700 agentes do ICE do estado de Minnesota. Inicialmente, cerca de 3 mil agentes haviam sido enviados à região para implementar a política migratória do governo. Com a decisão, pouco mais de 2 mil agentes permanecem no estado.

A medida foi anunciada pelo chamado “czar da fronteira” do governo, Tom Homan, que foi deslocado para Minnesota após a repercussão das mortes e os protestos registrados na região. A presença de Homan foi interpretada como uma tentativa de reduzir a tensão e reavaliar a atuação dos agentes no estado.

Na segunda-feira (2), a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, informou que o governo iniciou a distribuição de câmeras corporais para todos os agentes do ICE. Segundo ela, o programa deve ser ampliado gradualmente para outras regiões do país, conforme disponibilidade de recursos.