Irã admite mais de três mil mortes em protestos

O governo do Irã admitiu nesta quarta-feira (21) que 3.117 pessoas morreram durante as manifestações das últimas semanas no país. Os dados foram divulgados pela TV estatal, com base em informações do Ministério do Interior.

O número, no entanto, é inferior ao levantamento da organização de direitos humanos HRANA, que afirma que 4.519 pessoas morreram nos protestos, incluindo 197 agentes de segurança. Segundo a ONG, entre as vítimas estão 35 menores de idade e outras 38 pessoas que não tinham relação com as manifestações. Ainda de acordo com a HRANA, cerca de 9 mil mortes seguem sob revisão.

Os dados oficiais também ficam abaixo de informações repassadas por autoridades de segurança sob condição de anonimato. Informações divulgadas por uma agência internacional apontam que mais de 5 mil pessoas morreram, sendo cerca de 500 integrantes das forças de segurança.

A onda de manifestações começou em 28 de dezembro, motivada pela crise econômica enfrentada pelo país. Os protestos perderam força na semana passada após episódios de violência e a intensificação da repressão por parte do governo iraniano.

Autoridades do Irã responsabilizam “terroristas e arruaceiros” pelas mortes e pelos confrontos, alegando apoio de opositores exilados e de países considerados adversários, como Estados Unidos e Israel.

A Anistia Internacional afirmou ter documentado forças de segurança posicionadas em ruas e telhados, inclusive de prédios residenciais, mesquitas e delegacias, disparando repetidamente rifles e espingardas com munição metálica. Segundo a organização, agentes miraram com frequência a cabeça e o tronco de pessoas desarmadas.

De acordo com relatório da entidade, as evidências indicam uma escalada coordenada, em nível nacional, do uso ilegal de força letal contra manifestantes majoritariamente pacíficos e pessoas que circulavam pelos locais dos protestos.