O jornalista Breno Altman avaliou que ainda é difícil prever qual será a estratégia de Donald Trump em relação às eleições brasileiras. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta quarta-feira (21), ele afirmou que, embora o ex-presidente norte-americano tenha buscado manter nos últimos meses uma relação cordial com o presidente Lula, é possível que Donald Trump opere para derrotar o governo nas eleições.
“Mas eu não tenho dúvidas de que Donald Trump irá operar para derrotar o governo Lula nas eleições, porque a Donald Trump não interessa ter governos que possam criar contradições com os interesses da Casa Branca”, afirmou. Ele também explicou como Donald Trump vem atuando na América Latina. “Ele operou pesadamente pela vitória de Milei na Argentina, pela vitória de Kaste no Chile e tem intervido nos processos eleitorais por todo o continente. Ele quer governos comendados pela extrema direita, que é a corrente ideológica com a qual ele tem maior identidade”, explicou.
egundo Altman, a primeira tentativa de Trump no Brasil foi apoiar Jair Bolsonaro economicamente. “No Brasil ele meteu os pés pelas mãos, porque ele acreditou num primeiro momento, ou o convenceram, de que pressionando economicamente o Brasil, ele poderia salvar o seu aliado Jair Bolsonaro a voltar ao jogo da disputa eleitoral de 2026. Mas quebrou a cara, recuou, recompôs a sua estratégia, está dando um tempo, estabeleceu relações cordiais com o presidente Lula, recuou parcialmente das sanções contra Alexandre Moraes, recuou parcialmente das tarifas. Agora eu acho que ele está esperando se definir o cenário no Brasil para começar o seu jogo.
O jornalista destacou que, apesar de Trump ainda não ter definido sua ação direta no Brasil, ele já introduziu o fator medo no cenário eleitoral ao atacar a Venezuela, transmitindo à América Latina a mensagem de que “se vocês tiverem governos que se opõem aos interesses dos Estados Unidos, o que aconteceu em Caracas é o que espera a todos vocês”. Segundo Altman, esse tipo de pressão indireta já exerce influência sobre o eleitorado brasileiro, mesmo sem interferência explícita no processo interno.
Altman ainda comentou sobre o impacto histórico das próximas eleições. “Acho que vai ser a mais emocionante de todas as eleições desde 1989, e a última na qual teremos esse personagem impressionante que é Lula. Quando chegar 2030, se o presidente Lula for candidato, e o será, e for reeleito, e eu também acho que ele o será, ele terá sido protagonista da vida política do país por 50 anos. […] É um protagonismo que não tem paralelo na história política moderna do mundo”, refletiu.
Confira a entrevista completa:

