Trump promove reorganização profunda da ordem internacional, diz Breno Altman

O jornalista Breno Altman afirmou que Donald Trump promove uma reorganização profunda da ordem internacional a partir de decisões unilaterais que atingem inimigos, adversários e até aliados dos Estados Unidos. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta quarta-feira (21), ele avaliou que essa mudança, apesar de parecer caótica, é estratégica. “Donald Trump esta reorganizando a ordem internacional a partir de decisões unilaterais contra os seus inimigos, adversários e aliados, é uma reoganização profunda”, afirmou.

Segundo Altman, a ascensão de Trump está diretamente ligada a conflitos internos da economia norte-americana com a globalização. “Vários ramos da economia norte-americana que dependem de mercado interno, esses ramos passaram a se confrontar contra a globalização. Eles estavam sendo prejudicados”. Para ele, esse cenário abriu caminho para “a eleição do Trump a partir de um nacionalismo brutal, make America great again”, que expressa a ideia de que para Trump “não me interessa mais o sistema imperialista, eu quero voltar ao nacional imperialismo anterior à segunda guerra”.

Altman destacou ainda que essa estratégia parte do reconhecimento do declínio da hegemonia norte-americana. “Os Estados Unidos são uma superpotência decadente em termos da sua capacidade hegemônica. A economia do mundo está se deslocando para o oriente e para o sul”, disse. Diante do avanço chinês, ele ressaltou que os EUA “não têm como concorrer com a China no terreno da economia” nem “no terreno da ciência e da tecnologia”. As únicas vantagens restantes, segundo ele, são “o dólar”, ainda moeda universal, e “as forças armadas”, que mantêm os Estados Unidos como a principal potência bélica e naval do planeta.

Por fim, o jornalista afirmou que a América Latina volta a ocupar posição central nesse redesenho estratégico. Altman destacou que a região concentra mercado consumidor e riquezas estratégicas como petróleo, gás e terras raras, fundamentais para o desenvolvimento econômico norte-americano.

Confira a entrevista completa: