Com demolição de casas, braço da Odebrecht abre caminho para erguer espigões no Buracão

A Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, mais conhecida hoje pela sigla OR, recebeu aval da prefeitura para demolir duas mansões na Rua do Barro Vermelho e abrir caminhos para erguer dois espigões de luxo na Praia do Buracão, um dos pontos mais badalados da orla do Rio Vermelho. De acordo com informações publicadas no Diário Oficial do Município (DOM), a licença foi expedida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) em nome da BET BA 01, sociedade empresarial criada em 2021. A BET tem entre os sócios o principal executivo da OR, Eduardo Pedreira, e está sediada no Hangar Business Park, empreendimento comercial localizado na Paralela que também abriga o escritório central da construtora em Salvador.

Pista livre
Os imóveis que tiveram a demolição são os de número 274 e 292, totalizando aproximadamente 1.300 metros quadrados. No local, o braço imobiliário da Odebrecht planeja erguer dois edifícios de alto padrão, com 15 e 16 andares cada. Fontes com trânsito livre na Sedur garantiram à Metropolítica que os alvarás para a construção dos edifícios, que podem alcançar de 70 a 74 metros entre a faixa de areia e o topo, ainda estão em análise pelo órgão, mas a autorização para derrubar as mansões indica que a licença de construção deve sair em curto ou médio prazos. Embora tenha sido publicado apenas na edição do DOM da última segunda-feira (19), o alvará de demolição dos imóveis foi assinado em 6 de janeiro deste ano.

E agora, tropa?
Desde que os planos da OR para construir os espigões no Rio Vermelho vieram a público, o empreendimento enfrentou forte rejeição por parte de moradores, ambientalistas, arquitetos e especialistas em urbanismo. Boa parte dos críticos se agrupou em torno do movimento SOS Buracão, criado para tentar impedir que a Novonor (atual nome do Grupo Odebrecht) levasse adiante o projeto. No entanto, a tropa de resistência foi se desmobilizando de forma gradual. Só voltou a protestar a partir do último fim de semana, após a iminência da demolição, ainda assim sem o volume de participação que tinha antes.

Lero-lero  
A maioria das críticas ao projeto se dá em torno do sombreamento da Praia do Buracão e do impacto sobre o trânsito de uma rua que já enfrenta sérias dificuldades para a circulação de veículos. Estudos encomendados pela OR para minimizar as fortes críticas aos espigões projetaram 7% de sombras sobre a faixa de areia. Ainda assim, somente na Primavera, alegaram os representantes da construtora durante audiência com o Ministério Público Estadual realizada em março de 2024. O laudo apresentado contrasta com estudos realizados por arquitetos alinhados ao SOS Buracão, cujos resultados apontaram um sombreamento muito maior, fora queda nos níveis de ventilação da área.