Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste domingo (25), o Centrão sentiu o impacto, mas já se movimenta para ocupar espaço no próximo governo do presidente Lula (PT). A avaliação feita por diferentes siglas é que o petista não vai atrair partidos inteiros para a base, mas sim buscar acordos com alas específicas para garantir governabilidade, como aconteceu no governo Lula 3
Expectativas de cada partido
Na mesma avaliação, ministérios devem ser distribuídos a grupos mais próximos do Planalto, mesmo sem a garantia de apoio total da bancada, já que existem setores fortemente alinhados à direita dentro dessas legendas. Os diretórios do Norte e do Nordeste, que fizeram campanha por Lula, entram com vantagem na disputa por cargos. No MDB, que segue forte no Senado, aparecem os diretórios do Amazonas, do Pará e de Alagoas. No PSD, a ala mais lulista é a da Bahia. Já o PP e o Republicanos da Paraíba apoiaram o petista e esperam mais espaço.
O PSD, de Gilberto Kassab, é o mais animado com o resultado. Foi a única legenda do grupo a permanecer neutra no segundo turno, mesmo diante da onda de apoios a Flávio após o candidato do PL passar à frente de Lula no primeiro turno.
O Republicanos, que apoiou Flávio, prevê dificuldade inicial de diálogo, mas vê espaço para conversar, sobretudo porque a minoria do PT no Congresso obrigará o governo a ampliar alianças. O presidente da sigla, Marcos Pereira, reconheceu a vitória e disse que Lula terá a responsabilidade de governar também para quem votou em Flávio.
O MDB, que teve as pastas das Cidades, do Planejamento e dos Transportes no atual governo, deve enfrentar mais obstáculos, já que uma ala majoritária declarou apoio ao candidato do PL, movimento que surpreendeu petistas.
A federação União Brasil-PP é a mais consternada com o resultado. Os presidentes das siglas, Antônio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP), são próximos a Flávio e se empenharam na campanha do segundo turno. Aliados admitem que a proximidade com o bolsonarismo dificultará as negociações, mas apostam que o Planalto precisará construir pontes. Rueda divulgou mensagem nesta segunda (26) reconhecendo o resultado e parabenizando Lula.
Disputa pelo comando do Congresso
Bolsonaristas querem o comando do Senado para avançar com pedidos de impeachment de ministros do STF. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) travou a tramitação dessas solicitações, enquanto o PL cobra o afastamento de ao menos Alexandre de Moraes. O partido trabalha para eleger Rogério Marinho (RN), coordenador da campanha de Flávio, e tem a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como alternativa.
O PL elegeu 19 senadores neste ano e terá a maior bancada, com 29 integrantes. Segundo o Senado, é a maior de um partido no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988, superando o recorde do MDB, que tinha 27 cadeiras em 1999. Para vencer a eleição para a presidência, são necessários 41 votos, e a votação ocorre em fevereiro de 2027.
Parte do Centrão avalia que Alcolumbre saiu fortalecido com a vitória de Lula, por representar uma opção de equilíbrio e diálogo com o Planalto, sem extremismo.
Na Câmara, o Republicanos acredita em uma reaproximação natural com o governo após a reeleição do presidente do legislativo Hugo Motta (Republicanos-PB). O PL, que fez a maior bancada da Casa, chegou a ensaiar um movimento para derrubar Motta, mas ele reagiu e reuniu apoio de partidos do Centrão, o que isolou o PL.

