Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o segundo turno da eleição presidencial com propostas diferentes para áreas como segurança pública, economia, saúde e educação. Os planos de governo dos dois candidatos também apresentam medidas para combater a corrupção e enfrentar problemas sociais.
Confira o que cada candidato propõe para as seis áreas.
Violência
Flávio Bolsonaro (PL)
Com o plano chamado Brasil sem Medo, Flávio Bolsonaro propõe medidas como a redução da maioridade penal e a construção de presídios de segurança máxima. O candidato também defende maior participação das Forças Armadas no controle das fronteiras e o aumento dos recursos federais destinados à segurança pública.
Entre as principais propostas estão:
Classificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas;
Reduzir a maioridade penal para 16 anos;
Criar o Sistema Nacional de Fronteira, com tropas de elite das Forças Armadas para interceptar armas e drogas;
Construir cinco presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador e abrir 500 mil vagas no sistema prisional;
Prever castração química para criminosos que abusam de mulheres e crianças;
Acabar com a progressão de regime para condenados por crimes hediondos e quadruplicar a pena para condenados por furto ou revenda de celulares;
Dobrar o orçamento federal para a segurança pública ao longo do mandato;
Implantar o projeto Muralha Brasileira, com um milhão de câmeras e reconhecimento facial;
Redirecionar recursos destinados às famílias de detentos para familiares de vítimas.
Lula (PT)
O plano de Lula prevê o fortalecimento de programas de combate ao crime organizado e a ampliação da atuação federal na segurança pública. O candidato também defende mudanças na divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios.
Entre as propostas estão:
Fortalecer o Programa Brasil Contra o Crime Organizado e a Lei Antifacção, com foco na inteligência e no enfraquecimento financeiro das facções;
Destinar R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social para estados e municípios;
Consolidar o Sistema Único de Segurança Pública e criar o Ministério da Segurança Pública;
Ampliar a capacidade operacional do sistema penitenciário federal;
Fortalecer as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado na Amazônia Legal;
Expandir e aprimorar o Programa Celular Seguro, voltado à proteção de aparelhos e dados em casos de roubo, furto ou perda.
Corrupção
Flávio Bolsonaro (PL)
As propostas do candidato do PL incluem a redução da estrutura administrativa do governo e a retomada de iniciativas adotadas na gestão de Jair Bolsonaro (PL), entre elas o Programa Nacional de Desestatização.
O plano prevê:
Reduzir em dez o número de ministérios e diminuir cargos comissionados;
Eliminar supersalários e benefícios adicionais no serviço público;
Ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares;
Retomar medidas de combate a fraudes na Previdência;
Fortalecer a Lei das Estatais, com foco na seleção profissional de executivos e no fim de indicações políticas;
Acabar com a reeleição presidencial;
Promover reformas no Judiciário.
Lula (PT)
O plano do petista prioriza medidas de transparência na administração pública, modernização dos mecanismos de controle e revisão das regras para distribuição de recursos do orçamento federal.
Entre as propostas estão a manutenção do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025–2027, a modernização do Portal da Transparência com uso de inteligência artificial e dados abertos, além do enfrentamento de distorções no orçamento e da revisão do modelo de emendas parlamentares.
Economia
Flávio Bolsonaro (PL)
O plano econômico de Flávio Bolsonaro tem como eixo o ajuste fiscal por meio de cortes de despesas, chamado pelo candidato de “Tesouraço”. A proposta também prevê mudanças na tributação e a retomada de privatizações.
Entre as medidas apresentadas estão:
Criar o programa Ganha, Ganha, com benefícios como juros menores, cashback, acesso facilitado ao crédito e descontos em serviços para quem fizer cursos de capacitação e mantiver os pagamentos em dia;
Revisar a Reforma Tributária, com redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e de tributos sobre consumo e produção;
Cortar despesas para buscar o equilíbrio das contas públicas e reduzir a dívida;
Diminuir a burocracia para empresas e retomar o Programa Nacional de Desestatização;
Criar modelos de contratação com menor custo para empregadores, voltados a jovens de 18 a 24 anos e trabalhadores com mais de 50 anos.
Lula (PT)
O plano de Lula prevê a manutenção do atual arcabouço fiscal, com equilíbrio das contas públicas e preservação dos pisos constitucionais para áreas sociais. O candidato também propõe medidas tributárias, investimentos industriais e mudanças nas relações de trabalho.
Entre os principais pontos estão:
Manter as regras do Novo Arcabouço Fiscal;
Isentar do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil e ampliar a tributação sobre offshores e fundos exclusivos;
Fortalecer a Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica e os investimentos do Novo PAC;
Manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação;
Apoiar o fim da escala 6×1, com redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial;
Combater a pejotização e defender a regulamentação do trabalho por aplicativos com garantias previdenciárias;
Ampliar o acesso ao crédito para empreendedores por meio de programas como Acredita, Procred 360, Desenrola e Pronampe;
Expandir o Brasil Mais Produtivo, com linhas de crédito para digitalização e aumento da produtividade de micro, pequenas e médias empresas.
Saúde
Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato do PL propõe ampliar o uso da tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) e recorrer à rede privada para aumentar a oferta de atendimentos e exames.
As medidas incluem:
Implantar o programa Brasil sem Fila, com prontuário eletrônico único e uso de inteligência artificial para agendamentos;
Integrar o prontuário eletrônico à rede privada;
Corrigir a Tabela SUS para cobrir os custos dos atendimentos;
Contratar serviços e exames na rede privada em horários ociosos;
Ampliar a telemedicina;
Entregar medicamentos em domicílio para idosos e pessoas com doenças crônicas;
Criar unidades móveis de saúde da mulher, em ônibus e barcos adaptados.
Lula (PT)
O plano do presidente prevê a ampliação de programas já existentes e a modernização dos serviços públicos de saúde, além da retomada do piso constitucional da área.
Entre as propostas estão:
Modernizar e digitalizar o SUS, com expansão da telemedicina e consolidação do prontuário único;
Integrar os serviços de atenção primária, vigilância em saúde, assistência farmacêutica e atendimento especializado;
Ampliar o Mais Médicos, o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular;
Incluir exames laboratoriais, diagnósticos e de monitoramento de doenças crônicas no Farmácia Popular;
Incentivar a vacinação e fortalecer a produção nacional de insumos de saúde;
Expandir o programa Agora Tem Especialistas, com mutirões e parcerias com a rede privada para reduzir filas de exames e cirurgias;
Ampliar centros especializados no diagnóstico e tratamento do câncer.
Problemas sociais, assistência e moradia
Flávio Bolsonaro (PL)
O plano de Flávio Bolsonaro prevê a manutenção dos programas sociais existentes, com foco na qualificação profissional e na entrada dos beneficiários no mercado de trabalho. O candidato também apresenta propostas de assistência a idosos e pessoas com deficiência.
Entre as medidas estão:
Criar trilhas de qualificação e priorizar beneficiários de programas sociais em vagas de emprego, com retorno ao benefício em caso de perda do trabalho;
Proibir o uso de recursos de programas sociais em apostas;
Criar a Rede Nacional de Cuidado, com atendimento domiciliar e centros-dia para idosos e pessoas com deficiência;
Implantar o programa Casa Segura para Envelhecer;
Ampliar a entrega de escrituras e títulos de propriedade urbanos e rurais;
Retomar o programa Casa Verde e Amarela.
Lula (PT)
O plano do petista prevê a manutenção e a ampliação de programas sociais e habitacionais, além de ações voltadas à igualdade racial, aos povos indígenas e à proteção das mulheres.
As propostas incluem:
Ampliar cuidotecas, cozinhas solidárias e lavanderias públicas;
Manter o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida;
Expandir iniciativas de acesso à moradia, como Compra Assistida, Reforma Casa Brasil e Periferia Viva;
Regulamentar o Estatuto da Igualdade Racial e implementar deliberações da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial;
Implantar plenamente a Universidade Indígena;
Ampliar ações de enfrentamento ao feminicídio, concluir a construção de Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência da Mulher Brasileira e expandir as Salas Lilás;
Promover a participação feminina no mercado de trabalho com iniciativas ligadas à igualdade salarial.
Educação
Flávio Bolsonaro (PL)
O candidato do PL defende parcerias com a iniciativa privada no ensino técnico, expansão das escolas cívico-militares e investimentos em tecnologia nas unidades de ensino.
Entre as propostas estão:
Priorizar o método fônico na alfabetização e adotar metas de desempenho escolar;
Ampliar a oferta de creches e criar voucher-creche para acesso à rede privada quando faltarem vagas públicas;
Criar o Programa Acolher, com remuneração para alunos de bom desempenho, e um voucher educacional para uso em escolas privadas;
Levar tablets, computadores, robótica e internet às escolas;
Expandir escolas cívico-militares e apoiar o ensino em tempo integral;
Manter escolas abertas durante as férias pelo programa Escola nas Férias;
Transferir a governança do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e reestruturar o financiamento estudantil.
Lula (PT)
O plano de Lula prevê ampliar políticas educacionais já existentes, expandir a rede federal de ensino e fortalecer iniciativas de alfabetização, permanência estudantil e formação de professores.
Entre os pontos apresentados estão:
Manter o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com a meta de alfabetizar 80% das crianças na idade certa;
Ampliar a construção de escolas e creches por meio do Novo PAC;
Criar uma estratégia permanente de recuperação da aprendizagem para adultos que não concluíram a educação básica;
Incentivar o ensino em tempo integral com financiamento do Fundeb;
Manter o piso nacional do magistério e ampliar incentivos à formação continuada;
Universalizar a internet de alta velocidade nas escolas públicas;
Aprimorar o Pé-de-Meia, manter incentivos a cursinhos populares e ampliar a moradia estudantil;
Expandir a rede federal com 111 novos Institutos Federais;
Concluir unidades do Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Ceará, da Universidade Indígena e da Universidade do Esporte.

