Variety vê ameaça à retomada do cinema brasileiro em eventual vitória de Flávio Bolsonaro

A revista norte-americana Variety avalia que a retomada do cinema brasileiro estaria ameaçada caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as Eleições 2026 para Presidência da República. Em reportagem sobre o Festival do Rio, o veículo associa o momento do audiovisual do Brasil às políticas públicas de incentivo e divulga uma série de críticas feitas por profissionais do setor ao candidato do PL.

Segundo a publicação, houve manifestações de apoio ao presidente Lula durante o festival, e os artistas ouvidos defendem a continuidade dos investimentos. A obra de Walter Salles “Ainda Estou Aqui”, premiado com o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, e “O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho, premiado duas vezes em Cannes foram citados como exemplo dessas iniciativas de fomento. 

Ainda segundo a revista, o governo de Jair Bolsonaro foi marcado por dificuldades de financiamento, refletindo um enfraquecimento do apoio público ao cinema. À Variety, o diretor Marcelo Gomes afirmou que uma mudança de governo pode significar um retrocesso: “É uma indústria reconhecida internacionalmente e que colheu vários prêmios importantes nos últimos anos. Uma eventual mudança para um governo que não valoriza a cultura pode colocar tudo isso em risco”, disse.

Na avaliação da publicação, uma vitória de Lula no segundo turno seria a única chance de um futuro próspero para o audiovisual brasileiro, e o temor dos profissionais está ligado à possibilidade de retomada das políticas adotadas na gestão Bolsonaro. A produtora Paula Cosenza caracterizou essa possibilidade como “uma catástrofe”: “O candidato de extrema direita questiona a legitimidade da criação artística, do conhecimento acadêmico, da ciência e do livre exercício da imprensa, tornando-se uma ameaça concreta à democracia”, declarou.