Fabiana Pellegrino é a quinta mulher a ocupar uma cadeira na história da Academia de Letras Jurídicas da Bahia

A juíza de Direito Fabiana Pellegrino é a quinta mulher na história a ocupar uma cadeira da Academia de Letras Jurídicas da Bahia (ALJ). Ela foi eleita no dia 11 de setembro para ocupar a cadeira número 2, sucedendo o jurista Jairo Sento-Sé. Em entrevista ao Metropole Mais desta sexta-feira (2), a jurista falou sobre os desafios que mulheres enfrentam no setor profissional e a função do órgão para a sociedade. 

Como ingressou nova na carreira jurídica, Fabiana conta que o ambiente para mulheres não era muito receptivo: “As pessoas me viam e achavam que o melhor elogio para mim era o elogio físico, mas nós mulheres queremos ser lembradas pela nossa história”. Atualmente ela integra a Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e de Todas as Formas de Discriminação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ). A juíza lembra que as Eleições 2026 são uma oportunidade para continuar mudando esse cenário “é o momento de eleger candidatos que priorizam a pauta da igualdade”.

A magistrada atribui a escassa participação de mulheres em cargos de poder a um preconceito histórico: “Aristóteles chegou a dizer que a mulher era desprovida de coragem, e por isso não seria digna de confiança. Tomás de Aquino falava sobre a mulher servir o homem. O Mito de Pandora coloca a mulher como representação do mal. Até a Bíblia Sagrada associa a mulher ao pecado. Ao longo de centenas de anos, as mulheres são associadas a uma carga de malefícios”, relembrou. 

Fabiana conta que a ALJ tem 43 anos de existência. Ela nasce do projeto do desembargador Manuel Pereira que juntou 10 “grandes e ilustres” pensadores na ambiência jurídica para pensar o Direito de modo livre. Um deles, ela diz, foi Orlando Gomes, que também foi o primeiro presidente da Academia. Já sobre as mulheres que antecederam a chegada dela, citou: “Alice Gonzalez, Maria Auxiliadora Minahim, Mônica Aguiar, Paula Sarno e agora eu!”, disse.

Ao identificar mudanças na relação do cidadão com o magistério, a juíza avalia um “amadurecimento” por parte do Poder Judiciário: “Antes de sermos servidores e operadores, nós somos pessoas. Temos princípios, sentimos como pessoas. Hoje o Judiciário é mais alerta frente às questões da sociedade. Só a lei não basta, precisamos nos unir enquanto cidadãos para o bem da comunidade”, defendeu. 

Confira a entrevista na íntegra: