O cenário da disputa presidencial brasileira e o comportamento dos eleitores nas eleições de 2026 foram analisados pelo professor e pesquisador Camilo Aggio durante participação no Jornal da Bahia no Ar, nesta quarta-feira (30). Ao comentar o momento eleitoral, o pesquisador afirmou que a quantidade de pesquisas de opinião ajuda a compreender melhor as escolhas dos diferentes grupos sociais, mas também apontou sinais de desânimo entre os eleitores.
“Essa eleição parece que as pessoas estão mais desanimadas, menos engajadas. Um pouco das pesquisas de opinião mostram o quanto nós temos um percentual importante de votos de pessoas que declaram a intenção de voto para evitar o outro candidato do que para se filiar a um projeto”, disse.
Pesquisas e comportamento do eleitor
Ao falar sobre o cenário atual, Aggio afirmou que a disputa presidencial está mais imprevisível do que o habitual e destacou o volume de levantamentos eleitorais disponíveis. Para ele, os dados podem contribuir para um debate mais qualificado sobre as prioridades da população e as diferenças de comportamento entre os grupos sociais.
“O que nós temos é uma pujança enorme de pesquisas de opinião que estão nos ajudando a ter alguma direção e um entendimento muito maior de como está funcionando a cabeça do eleitor brasileiro. Essa abundância de informações de alguma forma vai se reverter em um debate público mais qualificado”, afirmou.
O pesquisador também relacionou o atual desânimo ao histórico recente das eleições brasileiras. Segundo Aggio, as disputas de 2018 e 2022 foram marcadas por conflitos intensos, que chegaram a afetar relações entre familiares e amigos. Para ele, a menor mobilização observada atualmente pode representar não apenas falta de interesse, mas um processo de esgotamento do eleitor.
“Essa falta de empolgação tem muito a ver também com nosso passado recente em termos de disputas eleitorais. Em 2018 e 2022 foram muito violentas. O custo da divergência era enorme, relatos e mais relatos de familiares e amigos rompendo suas relações. De alguma forma, aquilo que estamos interpretando como desânimo é, na verdade, uma declaração de esgotamento do eleitor”, declarou.
Confira entrevista na íntegra:

