A pouca repercussão dada por grandes veículos às denúncias envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi criticada pelo jornalista Bob Fernandes durante participação no Três Pontos, da Rádio Metropole, nesta quarta-feira (30). Para ele, o caso deveria receber atenção justamente por envolver um presidenciável e acrescentar novas acusações a um histórico de controvérsias que acompanha o senador. Fernandes citou reportagem do PlatôBR sobre documentos, mensagens e registros atribuídos ao ex-sócio Alexandre Santini, que relatam festas com garotas de programa, despesas pessoais pagas por terceiros e um Rolex de R$ 305 mil.
“Hoje, de ontem para cá, o único jornal que tratou disso foi a Folha de São Paulo. hoje, com o seguinte título, e olha o título: ‘PT explora a reportagem que liga Flávio Bolsonaro a garotas de programa e Rolex, e candidato evita responder’. Quer dizer, a notícia é o PT explorando, não é o fato de alguém ter publicado e ter ficado o dia inteiro na capa e a capa capital publicou, e no YouTube isso andou rolando. Nenhum jornal achou que isso mereça notícia, uma nota. Nada, nenhum dos grandes”, disse.
As denúncias contra Flávio Bolsonaro
Fernandes afirmou que o conteúdo divulgado pelo PlatôBR ultrapassa uma questão relacionada à vida privada de Flávio Bolsonaro porque ele disputa a Presidência da República. Segundo a reportagem citada pelo jornalista, Santini teria reunido mensagens, documentos e outros registros durante o período em que foi sócio e amigo do senador. Entre os episódios mencionados estão encontros privados, pagamentos de despesas e a compra de um relógio de luxo por um advogado ligado ao círculo de Flávio.
“Isso tudo que é essa chamada mídia alternativa digital, ela depende das chamadas big techs. Para tirar um exemplo, a minha página no Twitter foi sequestrada, invadida, sequestrada. Entraram lá duas mil mensagens falsas e ficou três semanas fora do ar até que eu tivesse me referido ao escritório da democracia, que é o representante legal do X que não tem escritório no Brasil”, disse, ao comentar sobre as limitações que a mídia alternativa enfrenta nos últimos tempos.
Imprensa e algoritmos
Ao discutir a circulação das denúncias, Fernandes relacionou a repercussão do caso ao funcionamento das plataformas digitais e à seleção de conteúdos feita pelos algoritmos. Para o jornalista, veículos independentes dependem das grandes redes para alcançar o público, o que cria outra camada de controle sobre a visibilidade de determinados assuntos.
Fernandes questionou ainda a retirada em bloco de publicações e afirmou que a distribuição de informações pode ser alterada pelas plataformas. “Essas informações correm ou deixam de correr ao bel-prazer dos donos dos algoritmos. Que botam para dar mais ou botam para dar menos”, afirmou. O jornalista ainda defendeu que as acusações atribuídas a Santini deveriam ser consideradas dentro do contexto eleitoral e da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
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