Advogado ligado a Flávio Bolsonaro perde R$ 163 milhões em apostas na Blaze e pede devolução à Justiça

O advogado Willer Tomaz perdeu R$ 163 milhões em apostas na Blaze ao longo de 2025 e entrou na Justiça para pedir a devolução do dinheiro. Segundo o processo, ele afirma ter desenvolvido dependência em jogos on-line e acusa a plataforma de não adotar medidas suficientes de jogo responsável.

Tomaz também mantém uma relação próxima com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dois viajaram juntos ao exterior cinco vezes em 2025. Em uma dessas ocasiões, em 19 de janeiro deste ano, o advogado voltou dos Estados Unidos ao Brasil em seu jatinho, dando carona ao senador. Flávio também teria ficado hospedado em um apartamento de Tomaz, em São Paulo, e realizado a festa de aniversário da filha em uma casa do advogado, em Angra dos Reis (RJ).

Dados apresentados no processo mostram que Tomaz movimentou cerca de R$ 10 bilhões na plataforma em 2025. Foram R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas, resultando em um prejuízo líquido de R$ 163 milhões.

De acordo com a Metropolés, o advogado chegou a receber atendimento exclusivo da Blaze. Conversas anexadas aos autos mostram que ele reclamava de dificuldades para realizar saques e chegou a pedir alternativas para movimentar valores maiores sem passar pelo reconhecimento facial exigido pela regulamentação.

Tomaz também realizou 11 depósitos de R$ 100 mil em apenas duas horas e perdeu todo o valor em apostas de roleta. Em janeiro de 2026, também depositou R$ 500 mil e, após uma sequência de apostas, acumulou perdas de R$ 725 mil no mesmo dia.

Na ação judicial, a defesa sustenta que a Blaze teria dificultado pedidos de saque e não adotado medidas eficazes de jogo responsável, apesar do alto volume de movimentações. Um laudo médico anexado ao processo afirma que Tomaz estaria em tratamento para dependência em apostas.

A defesa também afirma que o advogado tentou bloquear a conta e deixar de receber promoções da plataforma. Os autos, porém, não registram data nas mensagens apresentadas para comprovar esse pedido de autoexclusão.