A criação do chamado Escudo das Américas pelo governo de Donald Trump e o avanço da atuação dos Estados Unidos na América Latina foram analisados pelo jurista Wálter Maierovitch durante participação especial no programa Três Pontos, da Rádio Metropole, nesta quarta-feira (23). Ao comentar o discurso de Trump na Organização das Nações Unidas (ONU), realizado na terça-feira (22), o jurista afirmou que a nova estratégia americana retoma uma política antiga de combate às drogas e pode representar uma forma de intervenção sobre países da região, com consequências para a soberania nacional e possíveis reflexos sobre o Brasil e as eleições de 2026.
“Pura violação de soberania e aumento de poder em território. Evidentemente violando a soberania, violando as nações. Porque quando eu falo de nação, eu tô falando de território, de governo e de povo. Então mudou agora de nome. Agora se fala em narcoterrorismo. Que são coisas absolutamente diferentes. E se inventa o Escudo das Américas, que nada mais é o quê? Do que uma intervenção disfarçada. Uma invasão. Uma afronta à soberania”, disse.
Mudança de estratégia
Ao explicar a mudança de nomenclatura, Maierovitch afirmou que a chamada “guerra às drogas”, expressão utilizada em diferentes políticas dos Estados Unidos desde o governo Ronald Reagan, passou a ser apresentada sob o conceito de “narcoterrorismo”. Para ele, a alteração não representa apenas uma mudança de linguagem, porque amplia o enquadramento das ações contra grupos ligados ao tráfico e abre espaço para uma atuação mais abrangente de Washington.
O jurista citou ainda experiências anteriores na Colômbia e no México e afirmou que a presença militar americana na região já havia provocado questionamentos relacionados à soberania dos países. “Agora se fala em narcoterrorismo. Que são coisas absolutamente diferentes”, complementou.
A partir dessa mudança, Maierovitch afirmou que o Escudo das Américas deve ser compreendido dentro de uma estratégia mais ampla de projeção de poder dos Estados Unidos no continente. Na avaliação apresentada durante o programa, o risco para a soberania está justamente na possibilidade de ações justificadas pelo combate ao narcotráfico ultrapassarem os limites de cooperação entre países e resultarem em intervenções sobre territórios, governos e populações latino-americanas. O jurista também citou a atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e mencionou o discurso político que relaciona possíveis ações contra Venezuela, Cuba e Brasil.
Reflexos no Brasil
Maierovitch relacionou ainda o cenário internacional ao ambiente político brasileiro e às eleições de 2026. Durante a participação especial, ele citou Flávio Bolsonaro e afirmou que o avanço da política externa de Trump pode produzir repercussões no debate político da América Latina. O jurista também comentou a retirada de um vídeo do programa “Revelando”, apresentado por Fábio Porchat, que abordava relações envolvendo o Banco Master e a Igreja da Lagoinha, e questionou decisões relacionadas ao cenário institucional brasileiro. Segundo Maierovitch, esses episódios fazem parte de um contexto mais amplo de disputas políticas e institucionais que, em sua avaliação, precisam ser analisadas em conjunto com o ambiente internacional.
Confira o programa na íntegra:

