Janio de Freitas projeta dois anos de pressão de Trump sobre países latino-americanos

A política externa de Donald Trump deve continuar pressionando países latino-americanos nos próximos dois anos e pode representar um desafio especialmente para o Brasil, segundo avaliação do jornalista Janio de Freitas durante participação especial no Três Pontos, da Rádio Metropole, nesta quarta-feira (23). Para ele, a disputa por petróleo e terras raras amplia os interesses estratégicos dos Estados Unidos e coloca o Brasil diante de um período de forte pressão internacional.

“Eu acho que o Trump, o governo Trump, com seus dois anos ainda pela frente, vai ser um problema sério para os países latino-americanos, particularmente para o Brasil, para Cuba, claro, em primeiro lugar. Para Venezuela, a coisa já está resolvida, os americanos já se apropriaram do petróleo venezuelano”, apontou.

Petróleo e terras raras

Janio afirmou que a disputa por recursos naturais acrescentou um novo componente à relação entre Washington e a América Latina. Ele destacou as chamadas terras raras, minerais estratégicos para setores tecnológicos e industriais, como um possível elemento de negociação diante dos interesses americanos. Segundo o jornalista, a disputa por esses recursos se soma à pressão histórica dos Estados Unidos sobre o petróleo sul-americano e centro-americano.

“Ao contrário de termos atenuado o problema do petróleo, da emissão americana pelo petróleo sul-americano e centro-americano, veio agora acrescentar-se as terras raras. Numa certa medida, elas podem servir como um fator de barganha e de contenção da vontade americana pela propriedade alheia”, explicou.

O Brasil diante de Trump

Ao projetar os próximos dois anos do governo Trump, Janio destacou a atuação diplomática brasileira e avaliou que o país tem adotado uma postura capaz de enfrentar o período de tensão internacional. Para ele, a atuação do Itamaraty será importante diante das pressões externas, especialmente em um ano de eleição presidencial no Brasil. O jornalista também citou a possibilidade de novas iniciativas de Washington inspiradas em estratégias utilizadas em outros territórios.

“É provável que tenhamos que enfrentar algo parecido nos próximos anos, o Trump tem dois anos ainda para isso, e, por ora, o que há registrado, a meu ver, até com certo orgulho, é que o Brasil tem se portado com muita inteligência, com muita habilidade diplomática”, disse.

Janio também relacionou o cenário internacional ao resultado das eleições brasileiras de 2026 e citou Flávio Bolsonaro ao discutir a influência dos Estados Unidos sobre a política nacional. Segundo ele, o próximo governo brasileiro terá de lidar com as pressões de Washington em um cenário de disputa por recursos estratégicos. Ao mencionar a Groenlândia, o jornalista afirmou que a ampliação da presença americana no território poderia transformá-lo em alvo estratégico em um eventual conflito entre Estados Unidos, Rússia e China. Para Janio, o episódio demonstra como acordos destinados a solucionar pressões externas também podem gerar novas consequências geopolíticas.

Confira o programa na íntegra: