PGR dá aval para exames médicos do pai de Vorcaro fora da prisão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à realização de exames médicos fora da unidade prisional por Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.

O parecer foi enviado nesta sexta-feira (18) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A PGR defendeu que os procedimentos solicitados pela defesa sejam autorizados, mas a decisão final cabe ao magistrado.

De acordo com os advogados, Henrique Vorcaro apresentou sintomas de uma possível crise de diverticulite e chegou a procurar atendimento em uma unidade de pronto atendimento próxima ao presídio onde está detido.

A defesa solicitou que ele seja atendido pelo coloproctologista Fábio Lopes Queiroz e realize exames complementares indicados pelo especialista. No parecer assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, a Procuradoria concluiu pelo deferimento do pedido.

A solicitação ocorre dois dias depois de a defesa pedir ao STF a revogação da prisão preventiva de Henrique. Na petição apresentada na quarta-feira (16), os advogados afirmaram que ele está preso há mais de 90 dias sem que recursos apresentados contra a medida tenham sido analisados pelo Supremo.

Henrique Vorcaro foi preso em maio, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo uma fonte da Polícia Federal, ele é suspeito de integrar o chamado “núcleo violento” do grupo criminoso associado a Daniel Vorcaro.

PGR se manifesta contra soltura de outro investigado

No mesmo parecer, a PGR se posicionou contra a revogação da prisão preventiva de Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, investigado na Operação Compliance Zero.

De acordo com a Polícia Federal, Rodrigo faria parte do grupo chamado “Os Meninos”, um dos núcleos investigados na operação. A corporação aponta que o grupo atuava com ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento ilegal.

Na decisão que autorizou a operação, Rodrigo é citado como colaborador de David Henrique Alves, apontado como líder operacional do grupo. Segundo o documento, ele teria realizado tarefas como pagamento de boletos e compra de domínios de internet.

A defesa pediu a liberdade alegando que Rodrigo está preso há mais de 90 dias sem denúncia e que ele não ocupava posição de comando na organização investigada. Os advogados também afirmaram que não haveria risco de retomada das atividades atribuídas a ele e defenderam a aplicação de medidas cautelares no lugar da prisão.

A PGR discordou. Para o órgão, continuam presentes elementos de materialidade e autoria que justificam a prisão preventiva. A Procuradoria também afirmou que ainda existem diligências em andamento e que permanecem válidos os fundamentos utilizados para determinar a prisão.

O parecer cita ainda risco de reiteração criminosa e de fuga. Ao recuperar trechos da decisão que determinou a prisão, a PGR afirma que Rodrigo teria exercido funções técnicas e logísticas para o núcleo “Os Meninos”, incluindo atividades relacionadas à estrutura digital do grupo.