O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pela cirurgia que terminou com a morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, em Ilhéus, no sul da Bahia, já foi alvo de denúncias de pacientes que relataram complicações e deformidades após procedimentos estéticos.
Nas redes sociais, Rossini Ruback acumula mais de 54 mil seguidores. Em seu perfil, o médico divulga atuação em procedimentos como Lipo UltraHD, abdômen, ArgoPlasma, Vaser, Vibrofit e Piezo.
As denúncias contra Rossini vieram à tona em março de 2023. À época, pacientes de cidades como Itabuna, Salvador, Eunápolis e Vitória da Conquista procuraram autoridades para relatar problemas após procedimentos realizados pelo médico.
Denúncias de pacientes
Segundo reportagem exibida pelo Fantástico, pelo menos 40 pacientes acusaram Rossini Ruback de erros médicos. Algumas mulheres relataram complicações graves e afirmaram ter precisado passar por novas cirurgias para reparar os resultados dos procedimentos.
Entre os relatos, havia a acusação de que uma paciente teve uma prótese mamária retirada sem anestesia. À época, a defesa do médico negou as acusações e afirmou que Rossini jamais havia sido condenado judicialmente por qualquer conduta médica.
O Conselho Federal de Medicina informou, em 2023, que o médico possuía registro regular e especialização em cirurgia plástica.
O que diz o Cremeb
Em resposta ao Metro1, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia informou que não há expediente de sindicância ou processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite Rossini Tebaldi Ruback.
Sobre as denúncias anteriormente registradas contra o médico, o Cremeb afirmou que os resultados foram comunicados às partes envolvidas, com preservação do sigilo processual, conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional.
O Conselho acrescentou que eventuais sanções de caráter público são divulgadas no site da entidade, na área de Sanções Disciplinares, e no Diário Oficial da União.
Procurada, a Polícia Civil informou que a 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus instaurou um inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte de Adriele. Segundo a corporação, a empresária morreu durante um procedimento cirúrgico realizado em uma clínica no Centro do município. Guias para perícia e remoção do corpo foram expedidas. Ainda conforme a PC, oitivas e diligências seguem em andamento para o esclarecimento dos fatos.
Morte durante cirurgia
Adriele morava nos Estados Unidos e viajou ao Brasil para realizar quatro procedimentos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. Ela morreu após passar mal durante a cirurgia. Segundo o advogado da família, Adriele iniciou a cirurgia por volta das 15h de terça-feira (25), e o procedimento deveria ser concluído às 20h. Os familiares foram informados sobre a morte da empresária durante a madrugada de quarta-feira (26).
Em nota, a defesa de Rossini Tebaldi Ruback afirmou que o procedimento transcorreu sem intercorrências e que, na fase final da cirurgia, a paciente apresentou uma alteração grave e súbita no quadro clínico.
Segundo a defesa, os sinais foram identificados pela equipe de anestesiologia como compatíveis com hipertermia maligna, uma condição rara, grave e potencialmente fatal associada à exposição a determinados agentes utilizados na anestesia. A nota afirma que as medidas de emergência foram imediatamente adotadas, mas Adriele não respondeu ao tratamento e morreu.
O médico afirmou, por meio de sua defesa, que permanece à disposição da família e das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração do caso.

