Agressão de deputado do PL na Ufba é padrão típico do Trio da Presepada na política

Três políticos da Bahia parecem ter encontrado na capacidade de fabricar confronto e tumulto o único caminho para disputar espaço em ano de campanha eleitoral. Os deputados estaduais Diego Castro e Leandro de Jesus, ambos do PL, e o vereador da capital Sandro Filho (PP) integram o que o eleitor pode chamar sem medo de trio da discórdia, ou melhor da presepada, como reza o bom e velho baianês. Em comum, todos eles repetem a fórmula da tropa bolsonarista, à qual estão alinhadas. Basicamente, produzir episódios de conflitos pensados para virar cortes, vídeos, postagens e visualização nas redes sociais.

A mais recente presepada do trio foi protagonizada por Diego Castro, que já tinha feito de tudo para a aparecer, inclusive, invadir hospital público para gerar likes. Vestido em um colete como se fosse policial, o deputado foi à Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom) após dizer que recebeu uma “denúncia” sobre adesivos do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues (PT) colados na unidade. Retirou parte do material e começou a gravar. 

A ação terminou em tumulto – pra variar. Segundo a Ufba, o estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom, foi empurrado por um dos seguranças que acompanhava Castro e ficou ferido. Houve boletim de ocorrência, exame de corpo de delito e a proibição de acesso às unidades de ensino, obras ou equipamentos da rede estadual. Como se trata de espaço federal o parlamentar vai ter que prestar contas à PF, que já abriu inquérito. 

Lambanceiros prime 

Leandro de Jesus é outro que curte presepar. Esse mostrou que sabe transformar placa em cena. Em julho, foi à BA-649, nova rodovia que liga Itabuna a Ilhéus, criticar a entrega da obra feita pelo governo baiano. Não satisfeito, arrancou a placa de inauguração. Em vídeo, chamou a estrada de “fake” e disse que a lacração serviria para mostrar que a pista não estaria completamente concluída. O governo não deixou barato, mostrou que os trechos estavam em funcionamento e classificou a atitude como vandalismo.

Já o vereador Sandro Filho, eleito pelos cortes que fazia perseguindo, ofendendo e provocando deputados estaduais, de decidiu da um up na patacoada. Em abril, resolver espezinhar o grupo do MST que descansava no CAB após uma marcha de oito dias de Feira de Santana a Salvador. O episódio virou confronto. 

Sandro afirmou ter sido agredido e acusou os sem-terra de violência e depredação. Já integrantes do movimento disseram que ele teria iniciado a confusão, inclusive atirado objetos e xingando os integrantes do MST. Vídeos publicados nas redes mostram manifestantes correndo atrás do vereador e, em dado momento, até voadora rolou enquanto ele corria para entrar no carro.

Unidos na patacoada

O que aproxima os três não é nem uma aliança, mas um estilo de atuação que rende visibilidade. Encontrar um adversário, partir para a briga, gravar e deixar o algoritmo fazer o resto. Na política das redes, a patifaria pode render mais alcance que ações concretas e o cumprimento da própria função. Que ironia. Mas é ano de eleição, as polêmicas estão a torto e à direita – perceba a ironia, mais uma vez –, e a Metropole vai ficar de olho.