“Não é mais a mídia que ajuda a formar opinião na sociedade”, diz vencedor do Esso e Jabuti

Vencedor dos prêmios Esso e Líbero Badaró de Jornalismo e do Jabuti de Livro-Reportagem, o jornalista Luis Costa Pinto analisou o cenário político de 2026 em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta segunda-feira (24). Para ele, as redes sociais mudaram a forma como a sociedade recebe e forma opiniões. “É um fato da realidade que não é mais a mídia que ajuda a formar opinião na sociedade”, afirmou.

Segundo Costa Pinto, o jornalismo precisa lidar com uma nova dinâmica de circulação de informações. “Nós agora temos que conviver com esse negócio que é redes sociais, os cortes para redes”, disse. Para ele, o debate presidencial deste domingo (23) se transformou em uma “usina de cortes” para essas plataformas.

Ao avaliar o debate, o jornalista afirmou que Lula conseguiu compensar a ausência ao participar de uma entrevista na TV Record. 

Costa Pinto também apontou Flávio Bolsonaro como um dos prejudicados pela ausência no debate. “Ele tenta surfar no sobrenome do pai”, afirmou. Na avaliação dele, o candidato perdeu a oportunidade de conquistar eleitores que ainda não decidiram o voto.

Crítica à cobertura da imprensa

Ao comparar a repercussão de notícias envolvendo Lulinha e o caso do filme Dark Horse, Costa Pinto classificou como desigual o tratamento dado pela imprensa tradicional. “É um tratamento completamente desigual e mais uma vez deixa claro o lado que a mídia tradicional brasileira tem”, afirmou.

O jornalista também relacionou essa diferença de cobertura à resistência de setores da sociedade em relação a Lula. “Isso é fruto do recalque de uma parte da sociedade brasileira, sobretudo, do topo da pirâmide, que tem um recalque profundo da figura e da trajetória política do presidente Lula”, declarou.

Sobre o debate presidencial, Costa Pinto destacou ainda a quantidade de vezes em que Lula foi citado. “O presidente Lula foi citado 40 vezes durante os 90 minutos do debate, ou seja, quase uma vez a cada 2 minutos”. Para ele, Flávio Bolsonaro, por outro lado, “foi ignorado”.

Luis Costa Pinto é autor de Os Fantasmas da Casa da Dinda, As Duas Mortes de PC Farias, da trilogia Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro, além de O Vendedor de Futuros e O Procurador. Ele é vencedor dos prêmios Esso e Líbero Badaró de Jornalismo e do Jabuti de Livro-Reportagem.

Confira a entrevista na íntegra: