O poeta e compositor paraibano Jessier Quirino criticou a influência de modismos na forma de falar e afirmou que esse processo tem afetado características da linguagem sertaneja. Em entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (18), o artista explicou o fenômeno da “plastificação da língua portuguesa” e citou a influência da televisão e das redes sociais.
Segundo Jessier, a mudança também pode ser percebida entre crianças. Ele contou que já observou os próprios netos reproduzirem formas de pronúncia que, na avaliação dele, não fazem parte da linguagem tradicional da família. “Tenho netos que as professoras chiam: ‘tchia’, ‘tchio’, e nós não chiamos. Nós dizemos ‘tia’ e ‘tio’. De vez em quando, eu pego meus netos falando assim. Essa influência já começa erradamente da sala de aula”, afirmou.
O poeta também criticou a busca por uma linguagem considerada mais sofisticada nas redes sociais. Para ele, algumas pessoas passam a adotar formas de falar que não correspondem à maneira natural de se expressar o que, segundo sua avaliação, prejudica características da cultura de onde as pessoas estão inseridas “As pessoas, com essa coisa de aparecer nas redes sociais, procuram se sofisticar e colocam uma fala que não é a nossa natural e isso, de alguma forma, fere o nosso matuto sertanejo”, disse.
Jessier destacou ainda características que considera próprias do sertanejo, como a capacidade de adaptação e sobrevivência. Na avaliação do artista, a televisão também contribuiu para a incorporação de modismos no cotidiano do interior, inclusive na escolha de nomes.
“O sertanejo mais profundo é uma pessoa muito pura e esperta. E aí vem a televisão com modismo e atinge muito os nomes das pessoas, que têm pessoas que têm nomes copiados de novelas”, afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:

