A foto de políticos reunidos em uma confraternização com o advogado Willer Tomaz, investigado no caso das fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS, foi encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Na avaliação do psiquiatra Antonio Nery, a imagem transmite uma sensação de pouca seriedade e confiança. Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta segunda-feira (10), ele afirmou que a postura registrada contrasta com a responsabilidade dos agentes públicos e com a aproximação demonstrada.
“Eu acho que, considerando a história atual do Brasil, a primeira coisa que isso nos inspira é de que é pouco sério, pouco confiável. As pessoas estão todas rindo, elas estão todas juntas. […] E aí você fica se perguntando. Se pudesse perguntar sobre aquela foto, a minha questão seria ‘está rindo de quê? Está rindo de quê? Está alegre por quê?’”, disse.
Para Nery, a questão não está necessariamente na proximidade física entre os participantes da fotografia, mas no que a cena representa diante dos cargos ocupados pelos presentes. A imagem reúne parlamentares com influência sobre decisões políticas em um contexto de dificuldades sociais e investigações envolvendo agentes públicos.
“Eu penso no que está representado ali, ali é o poder, e o poder ali não está nem um pouco triste, nem um pouco preocupado”, apontou.
O psiquiatra ainda defendeu que pessoas investidas de representação pública devem considerar o ambiente e a forma como se apresentam, inclusive em momentos privados que acabam expostos publicamente. Para ele, o exercício do cargo exige cuidado permanente com a imagem e o decoro.
Nery comparou a situação à necessidade de adequar a própria apresentação ao espaço ocupado e afirmou que representantes públicos devem preservar a imagem associada à função. “Nós precisamos, todos nós, investidos de determinada representação social, nós precisamos cuidar dessa representação”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:

