Campanha de Jerônimo aposta em vídeo da surra no presidente para frear voto Lula-Neto

Em ofensiva para reduzir os eventuais votos “Lula-Neto”, o comando de campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) decidiu massificar o vídeo em que o então deputado federal ACM Neto (União Brasil) afirma que daria “uma surra” no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso no plenário da Câmara em 2005. As mesmas imagens foram consideradas cruciais para a derrota sofrida por Neto na disputa pela prefeitura de Salvador em 2008, quando ficou fora do segundo turno, protagonizado por João Henrique, à época candidato à reeleição pelo PMDB, e Walter Pinheiro (PT).

Pista alternativa
“Por conta de decisões da Justiça Eleitoral que já barraram o uso daquele vídeo no horário eleitoral gratuito em eleições anteriores, como a de 2012, vamos apostar na disseminação desse material por WhatsApp e postagens da militância do PT nas redes. Não podemos deixar que ACM Neto continue se aproveitando dos votos dos apoiadores de Lula por meio de postagens que o associem ao presidente, mesmo que não apareçam as digitais dele nesse processo”, resumiu um cardeal petista com assento no núcleo estratégico da campanha de Jerônimo. 

Ponta do iceberg
Um indício da tática de utilizar o vídeo da surra para implodir o voto casado entre Lula e o ex-prefeito de Salvador ficou claro durante o debate entre três concorrentes ao governo estadual, realizado pela Band Bahia na noite de domingo (9). No confronto, tanto Jerônimo quanto o candidato do Psol ao Palácio de Ondina, Ricardo Mansur, citaram o episódio na tentativa de consolidar no eleitorado a imagem de que Neto é inimigo do presidente e esconde a aliança com o senador carioca Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista na corrida presidencial.

Em alta
Já na manhã desta segunda-feira (10), o material em que Neto ataca Lula circulava com intensidade em aplicativos de mensagens, além de cards e vídeos postados no Instagram e TikTok por dezenas de perfis, apócrifos ou não. As declarações de lideranças do PT também seguiram no mesmo compasso. “Depois que identificamos um número muito alto de conteúdos colando a imagem de ACM Neto à de Lula, principalmente no interior, precisávamos reagir. E entendemos que o vídeo atende bem a esse propósito”, arrematou outro cacique do PT. 

Recordar é viver
A ofensiva para impedir a migração de votos de eleitores de Lula para o candidato do União Brasil a governador remonta à sucessão de 2022, quando parte significativa dos quatro milhões de votos obtidos por Neto no segundo turno contra Jerônimo foram dados por eleitores do presidente. Na ocasião, Lula recebeu 72,12% dos votos válidos, enquanto Jerônimo teve 52,79%, diferença de aproximadamente 20 pontos percentuais.