As denúncias de desfavorecimento de equipes das regiões Norte e Nordeste do Brasil nunca se restringiram a apenas as quatro linhas, como decisões de arbitragem. A divisão dos direitos de transmissão também sofre acusações de beneficiar times do eixo Rio-São Paulo. Nos últimos anos, os clubes se uniram e formaram ligas como a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e a Futebol Forte União (FFU) para aumentar a competitividade do esporte no país ao dividir de forma justa os direitos de transmissão, que antes eram feitos individualmente por cada clube, mas nem assim os apelos de injustiça terminaram.
A Federação Bahiana de Futebol (FBF) formalizou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) após presidente do Vitória, Fábio Mota, reclamar de tratamento desigual no episódio em que o Atlético Mineiro fez o mesmo movimento de trocar a Libra pela FFU que o Vitória, mas não sofreu o desconto de 15% em suas receitas, como ocorreu com o time Rubro-negro. A proposta, em que o objetivo é equilibrar os times financeiramente, foi alegada como desigual desde a base do processo de distribuição.
Problema antigo
O caso não é isolado, já que no ano passado, Vitória, Bahia e Fortaleza disputaram as competições internacionais Sul-Americana e Libertadores, cujos direitos de transmissão eram do SBT e da Globo, respectivamente. Porém, nenhuma partida dos clubes nordestinos foi transmitida em TV aberta, somente por assinatura. Por outro lado, na Libertadores, a Globo transmitiu três partidas de Botafogo, São Paulo, Flamengo e Palmeiras, na fase de grupos. O mesmo ocorreu com o Vitória no SBT, já que a emissora passou Corinthians, Vasco e Fluminense na TV aberta.
Em 2019, jogadores do Fortaleza protestaram em campo contra a Turner, que na ocasião era dona do antigo Esporte Interativo, que possuía os direitos de transmissão do clube. O protesto era sobre R$ 14 milhões que receberam a menos que outros times com contrato. No ano de 2018, veio a conhecimento público que o Palmeiras recebeu R$ 100 milhões, com valor extra, além do acordo de transmissão com a emissora, enquanto os demais times, como o Bahia, receberam menos também, cerca de R$ 40 milhões.
Em geral, os clubes do Nordeste são os que mais têm polêmicas de saírem prejudicados nas distribuições de direitos de transmissão, mesmo as que pretendem ser feitas através de contratos isonômicos. No caso das ligas formadas com o propósito do bolo publicitário, a FBF chegou a argumentar que há uma “opacidade” com relação aos acordos, em que é conferida a vantagem ao investidor, que negocia conhecendo todas as posições, enquanto os clubes conhecem apenas a sua.

