81 anos de Hiroshima: o primeiro ataque nuclear que mudou o mundo

Há 81 anos, a humanidade testemunhava o primeiro ataque nuclear da história. Na manhã de 6 de agosto de 1945, às 8h15, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica “Little Boy” sobre Hiroshima, no Japão, em um dos episódios mais marcantes e devastadores da Segunda Guerra Mundial. A explosão destruiu grande parte da cidade em poucos segundos, matou dezenas de milhares de pessoas e inaugurou a era das armas nucleares.

O que estava acontecendo no mundo?

Naquele momento, a Segunda Guerra já havia terminado na Europa, com a derrota da Alemanha nazista, mas os confrontos continuavam no Pacífico. O Japão enfrentava graves dificuldades econômicas, sucessivos bombardeios e perdas militares, porém rejeitava a rendição incondicional exigida pelos Aliados na Declaração de Potsdam. Já os Estados Unidos, preparavam uma invasão ao território japonês e estimavam que uma ofensiva terrestre poderia provocar centenas de milhares de mortes entre soldados e civis. Nesse cenário, o governo do presidente Harry Truman decidiu utilizar a nova arma desenvolvida durante o Projeto Manhattan.

O Projeto Manhattan foi um programa secreto criado pelos Estados Unidos em 1942, que reuniu milhares de cientistas, engenheiros e militares para desenvolver a primeira bomba atômica. A iniciativa surgiu diante do temor de que a Alemanha nazista conseguisse produzir esse tipo de armamento antes dos Aliados. O projeto contou com a participação de nomes como Robert Oppenheimer e consumiu cerca de dois bilhões de dólares da época. O primeiro teste da bomba ocorreu em 16 de julho de 1945, no deserto do Novo México, na chamada Experiência Trinity, que confirmou o poder destrutivo da tecnologia nuclear.

O ataque

Após o sucesso do teste, os Estados Unidos definiram uma lista de cidades japonesas que poderiam ser atacadas. Hiroshima foi escolhida por reunir características estratégicas: era um importante centro militar e logístico, possuía instalações do Exército japonês, ainda não havia sofrido grandes bombardeios e apresentava condições climáticas favoráveis para que os efeitos da explosão fossem observados e registrados.

Na madrugada de 6 de agosto, o bombardeiro B-29 Enola Gay decolou da ilha de Tinian, no Oceano Pacífico, comandado pelo coronel Paul Tibbets. O avião levava a bomba “Little Boy”, um artefato de cerca de quatro toneladas, com três metros de comprimento e carregado com aproximadamente 72 quilos de urânio-235 enriquecido.

Pouco depois das 8h da manhã, a bomba foi lançada sobre Hiroshima a partir de uma altitude superior a 10 mil metros. Foram 43 segundos de queda até a detonação, que ocorreu cerca de 600 metros acima do solo. A explosão liberou uma energia equivalente a aproximadamente 13 mil toneladas de TNT. Em frações de segundo, uma temperatura estimada em milhões de graus foi gerada no centro da explosão, produzindo uma intensa onda de calor, uma poderosa onda de choque e uma gigantesca nuvem em forma de cogumelo, que alcançou quilômetros de altura.

Toda a área em um raio de cerca de dois quilômetros foi praticamente destruída. Construções desapareceram, bairros inteiros foram reduzidos a escombros e milhares de pessoas morreram instantaneamente. Estima-se que cerca de 70 mil pessoas perderam a vida no momento da explosão. Outras dezenas de milhares ficaram gravemente feridas por queimaduras, desabamentos e pela intensa exposição à radiação.

Tudo mudou

Nos dias seguintes, Hiroshima enfrentou um cenário de destruição total. Uma chuva negra, formada por água misturada a cinzas, poeira e material radioativo, caiu sobre a cidade, contaminando sobreviventes e dificultando ainda mais os trabalhos de resgate. Muitas vítimas que aparentemente haviam escapado da explosão morreram dias, semanas ou meses depois em consequência da radiação. Até o fim de 1945, o número de mortos já ultrapassava 130 mil pessoas, enquanto milhares de sobreviventes desenvolveram câncer, leucemia e outras doenças ao longo dos anos.

Mesmo diante da destruição de Hiroshima, o governo japonês não anunciou imediatamente sua rendição. Três dias depois, em 9 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma segunda bomba atômica, desta vez sobre Nagasaki. Somados, os dois ataques causaram centenas de milhares de mortes diretas e indiretas.

Somente em 15 de agosto de 1945 o imperador Hirohito anunciou a rendição do Japão, encerrando a participação do país na Segunda Guerra Mundial. A assinatura oficial da capitulação ocorreu em 2 de setembro, a bordo do encouraçado USS Missouri.

Passadas mais de oito décadas, Hiroshima permanece como um símbolo mundial dos impactos devastadores das armas nucleares. A cidade foi reconstruída e abriga o Parque Memorial da Paz e a Cúpula da Bomba Atômica, preservada como patrimônio histórico e lembrança permanente da tragédia. Todos os anos, cerimônias reúnem sobreviventes, autoridades e representantes de diversos países para homenagear as vítimas e reforçar os apelos pelo desarmamento nuclear e pela preservação da paz.

No cinema

A história por trás da criação da primeira bomba atômica ganhou projeção mundial com o filme Oppenheimer, lançado em 2023 e vencedor de sete Oscars, incluindo Melhor Filme. A produção, dirigida por Christopher Nolan, acompanha a trajetória do físico Robert Oppenheimer, um dos principais responsáveis pelo Projeto Manhattan, mostrando os trabalhos científicos, a corrida para desenvolver a arma nuclear antes da Alemanha nazista e os dilemas éticos do processo.