Conmebol evita tomar posição sobre projeto bilionário da Fifa e anuncia consulta às federações

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) se manifestou nesta sexta-feira (31) sobre o projeto da Fifa para criar uma empresa responsável pela gestão das competições e dos direitos comerciais da entidade. Em nota oficial, a confederação informou que iniciou um processo de consultas às federações filiadas e convocou uma reunião do Conselho para analisar a proposta antes de adotar uma posição.

O projeto, apresentado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que administraria as competições da entidade e buscaria captar cerca de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102 bilhões) por meio da comercialização de direitos comerciais.

Diferentemente de outras confederações, como Uefa, Concacaf e AFC, que já se posicionaram sobre o tema, a Conmebol adotou um tom cauteloso e evitou manifestar apoio ou rejeição à iniciativa. Segundo a entidade, a prioridade é obter mais informações sobre o alcance, a estrutura, a governança e os possíveis impactos do projeto antes de qualquer decisão.

Na nota, a Conmebol afirmou que “o futebol vem sempre em primeiro lugar” e destacou que decisões comerciais e financeiras devem servir ao desenvolvimento do esporte, sem se sobrepor à sua essência. A entidade também informou que solicitou esclarecimentos adicionais à Fifa e disse que continuará atuando com “prudência, responsabilidade e espírito de colaboração”.

O posicionamento da confederação chama atenção pela proximidade entre seu presidente, Alejandro Domínguez, e Gianni Infantino. A relação entre os dirigentes foi determinante para que Paraguai, Argentina e Uruguai fossem escolhidos para sediar partidas da Copa do Mundo de 2030, incluindo o jogo de abertura, previsto para o Estádio Centenário, em Montevidéu.

Domínguez também é um dos principais defensores da ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções. Na quinta-feira (30), a Fifa divulgou um documento informando que iniciará estudos sobre a viabilidade da mudança, com a contratação de uma consultoria independente para avaliar os impactos esportivos, comerciais e operacionais da possível expansão do torneio.