As versões apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre a relação com Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, formam uma sequência de mentiras que não pode ser normalizada, segundo o jornalista, professor, escritor e psicólogo Felipe Pena. Durante entrevista ao Jornal da Cidade com Mário Kertész desta quarta-feira (22), ele também questionou a falta de buscas da Polícia Federal em endereços do senador.
“Não é possível normalizar isso. Não é possível normalizar a mentira. E não é uma mentira. É uma sequência de mentiras, no plural, proferidas por Flávio Bolsonaro. Acho que já dá para dizer, a esta altura do campeonato, que Flávio Bolsonaro é o Pinóquio da política brasileira”, disse.
Pena afirmou que Flávio inicialmente negou que Vorcaro tivesse enviado dinheiro para o filme e chegou a atacar o jornalista que o questionou. Horas depois, reconheceu o recebimento, mas alegou que eram recursos privados. Depois, disse que mal conhecia o banqueiro, embora tenha ido à casa dele quando já estava sob monitoramento eletrônico. Também afirmou que a visita serviria apenas para encerrar o negócio, versão contrariada por Valdemar Costa Neto, segundo quem o senador buscava receber valores pendentes. Flávio ainda negou a emissão de notas fiscais, mas documentos milionários vieram a público.
“Não dá para normalizar essa mentirada. É com dinheiro público, é muita coisa. E esse candidato vai ficar na defensiva o tempo inteiro, porque tenho a impressão de que ainda não apareceram todos os escândalos e todas as mentiras”, pontuou.
Sobre a possível delação de Vorcaro, Pena evitou afirmar que exista uma blindagem, mas considerou estranho que o assunto tenha perdido força e que nenhuma busca tenha chegado às residências de Flávio. Ele citou áudios nos quais o senador chama Vorcaro de “meu irmãozinho” e pede dinheiro, além da visita feita ao banqueiro. “No mínimo, é estranho não ter tido nenhuma operação da Polícia Federal nas residências de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:

